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Você no Orla recebe registro de pontes ‘fantasmas’: casos são investigados há quase 18 anos – prejuízo nunca foi ressarcido

Atualizada em: 08/11/2018 11:47

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Foi a indignação que fez o funcionário de uma empresa agrícola parar o veículo que dirigia, numa rodovia estadual  do nordeste  do Tocantins, e registrar uma construção que surgiu à frente. De repente, segundo contou ao Portal Orla Notícias, aparecem pontes erguidas ligando ‘nada a lugar nenhum’. Temendo algum tipo de represália, ele pediu para não ser identificado.
Nordeste do Tocantins ganharia o ‘anel da soja’.
O internauta descobriu que as pontes são para o ‘futuro’ – mas ainda inexistente – ‘anel da soja’, na TO-020, trecho entre Campos Lindos e Recursolândia, iniciado em 2011, com 156 km de extensão. Com a rodovia pavimentada, o custo para escoar com mais rapidez a produção do município considerado o maior produtor de grãos do Estado, com cerca de 100 mil hectares plantados, seria menor.
Na época do lançamento da obra, o valor contratado para pavimentação foi de cerca de R$ 130 milhões. Houve mudança no cronograma de conclusão para o segundo semestre de 2015.
Ponte erguida na TO-020 não tem aterro e nunca foi usada. Foto: Você no Orla
A produção de grãos em Campos Lindos é recorde. Só para a safra 2018/2019, a expectativa da região é ultrapassar um milhão de hectares de soja, segundo a Secretaria do Desenvolvimento da Agricultura e Pecuária do Tocantins.
No entanto, não só estas pontes na TO-020, registradas pelo internauta, mas outras 81 obras públicas estaduais foram consideradas irregulares no pente fino feito por uma força tarefa do Ministério Público. Pelo menos 100 foram periciadas como parte do processo investigativo, informou o MPE ao Portal. Os valores contratados para estas obras chamou a atenção dos promotores de Justiça, inclusive porque algumas receberam aditivos ao longo da execução.
Os contratos são antigos, parte foi iniciada em 1998, portanto há 20 anos. Já o levantamento para identificar as irregularidades começou em 2000. Pelo menos dois ex-governadores, ex-gestores e servidores da Secretaria Estadual de Infraestrutura e representantes das empreiteiras responsáveis pelas obras foram arrolados como réus nestas ações.
Agora, na esfera estadual, disse o MPE, mais de 80 ações estão aguardando andamento em primeira instância. Os promotores cobram a punição de ex-gestores e o ressarcimento de danos provocados aos cofres estaduais. Nestes oito anos, houve bloqueio de bens dos envolvidos. 

Segundo a investigação, os pagamentos pela construção das pontes no Tocantins podem ter gerado um desvio de R$ 458 milhões, porque as empresas que executavam as obras receberam em dólar.

Nesta quinta-feira, 8, o Portal Orla Notícias solicitou à Agência de Transportes e Obras (AGETO) informações atualizadas sobre o andamento da TO-020, no nordeste tocantinense, onde o internauta passa com frequência, e aguarda resposta. 

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