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⟳ Atualizada em: 19/06/2019 15:40

Unir as belezas da capital tocantinense à tradição das aldeias indígenas do Estado esse é o objetivo de um projeto de etnoturismo que foi apresentado nesta semana por empresários do trade turístico a um grupo de convidados que incluiu representantes da Agência do Desenvolvimento do Turismo, Cultura e Economia Criativa (Adetuc),
produtores culturais e turistas, entre outros.

Foto: Emerson Silva/ Alegria e hospitalidade são marcas no povo Krahô

O ponto de partida foi a apresentação do projeto Vivências Tribais Krahôs, que visa a formatação de roteiros etnoturísticos às aldeias da Terra Indígena Kraolândia, situada nos municípios de Goiatins e Itacajá, ao norte do Estado. “Apesar de ser um projeto de base comunitária, nós temos o foco de retorno enquanto produto turístico”, explicou o empresário Marcos Luz, diretor comercial da empresa Tekoá, ressaltando que mesmo em processo de formatação, o projeto já é um sucesso. “A aldeia se tornou uma grande parceira”, comemorou.

“Quando se destrói a identidade de um povo, se destrói a própria vida”, ressaltou lembrando que as lideranças da aldeia Manoel Alves afirmam que a localidade está mais limpa, a saúde dos moradores melhorou, o consumo de álcool reduziu e os jovens estão motivados. “Nós temos um propósito além do mercado, de promover o que chamamos de ‘troca justa’, após séculos de  exploração. Além disso, esse projeto é uma vitrine internacional”, comemora Luz.

A superintendente de Turismo da Adetuc, Maria Antônia Valadares, concorda com o empresário. “O etnoturismo no Tocantins tem grande potencial de atração do turista internacional, já que há uma demanda grande de visitantes que buscam o turismo de experiência no Brasil”, ressaltou. Mas para chegar a este ponto ainda será preciso muito trabalho. Parceiro no projeto, Fernando Schiavini, indigenista há mais de 40 anos, 32 deles dedicados ao povo Krahô, lembra que este povo tem uma cultura belíssima e vive na maior área de cerrado preservada do país,
com 302 mil hectares demarcados. São 3.500 indígenas habitando em 32 aldeias. “O turismo nos Krahô é algo perseguido há muito tempo; eles são bons anfitriões, são universalistas, o que estamos tentando fazer é levar profissionalismo, mas com muito respeito”, explicou.

Neste feriado prolongado, um grupo será levado para a aldeia, onde acompanhará o ritual de fim de luto, chamado PàrCahàc. Segundo Schiavini, a proposta do projeto é seguir as festas do calendário Krahô, para que não ocorram mudanças no modo de vida local e ao mesmo tempo se arrecade fundos para estes mesmos eventos. O indigenista enfatizou ainda que esta será a primeira vez que o ritual é realizado para um não índio, o professor universitário e indigenista Vanderlei Mendes, falecido há um ano. “Segundo a tradição, o espírito fica próximo à família por um tempo, o ritual é a sua despedida definitiva”, revelou.

Já o empresário de Palmas, proprietário de três flutuantes, Fernando Macedo, lembrou que a parceria com a Tekoá e outras empresas de turismo visa à criação de uma conexão dos turistas com a Capital, que ainda é vista por muitos somente como ponto de passagem. “Queremos ser parte integrante do turismo, fazer parcerias para que o turista que vai ao Jalapão ou outra região turística saia do hotel e conheça os atrativos de Palmas durante sua estadia na cidade”, concluiu.

Marcos Luz apresentou projeto em um flutuante, na Capital

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