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Um olhar de fora: o paraíso em um casulo

O início de uma série de histórias sobre a cidade que amo e odeio

Atualizada em: 09/11/2017 01:56

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Quando você tira um tempo para pensar, Palmas é muito parecida com um condado de alto padrão para os privilegiados, aqueles que tanto vemos na televisão, em filmes e séries, desde sempre, praticamente. Um clima interiorano em uma capital, o que não chega a ser espantoso, já que a cidade é jovem, e preserva suas origens.

Cheguei aqui ainda pequeno, e a imagem que tenho da cidade até hoje nunca mudou. É um lugar encantador, mas para que essa visão se fizesse concreta, precisei perfurar a bolha que envolve Palmas e observar do lado de dentro. O verde e a beleza das ruas remetem a um alto estilo de vida, e se não isso, um estilo de vida custoso para quem está de fora da bolha.

São as pessoas que fazem daqui um objeto de estudo social tão abrangente. As culturas que aqui chegam se impõem umas sobre as outras, e de alguma forma se misturam às raízes ainda finas que mal se firmaram neste solo. É uma mistura bonita, interessante, mas gera uma perda de identidade. É complicado dizer até qual o sotaque nativo do palmense. Não é uma abordagem negativa, é só algo que todo mundo que passou ou vive aqui já pensou.

Quando entrei na bolha, algo me assustou: todos em meu convívio pareciam ser ricos. Alguns eram, de fato; outros se adequaram tão bem que mantinham o padrão de vida com a força de sua vontade. Parece uma observação desnecessária, mas é o que atrai quem vem de fora. Para os forasteiros, Palmas é um grande condomínio de luxo, e tudo aqui vale o seu preço. Fui descobrindo, no decorrer dos meus anos de experiência aqui, como também me camuflar nesse meio, e uma vez que você está no jogo, vai precisar de boas cartas.

Relutei bastante até entender que aqui quem hesita não tem vez: as chances não aparecem para quem fica de fora da bolha. Escrevo com a propriedade de quem ainda observa, um pé para fora, outro lá dentro, e admito que ainda falta muito para entender o que exatamente estou observando. Meu vouyerismo impulsiona a vontade que tenho de conhecer Palmas a fundo, e para isso, estarei sempre atento, coletando histórias, relatos e imagens desse enorme organismo que é essa cidade e seus habitantes, não importa de que lado do casulo. Não busco romantização de nada, apenas uma linha alternativa que não foi tomada, quando não perceberam que Palmas é um lugar maior que seus limites. Aqui tudo acontece, e cabe a mim provar.

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