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Transição capilar: empoderamento, autoestima e enfrentamento ao preconceito

Atualizada em: 20/10/2017 09:24

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Desde muito pequenas, garotas são influenciadas a terem o cabelo perfeito. Propagado principalmente pelas revistas de moda, a publicidade e as telenovelas, o que se imagina como cabelo padrão é o cabelo liso. Para atingir o ideal, elas se submetem a tratamentos dolorosos e que danificam a sua saúde capilar.

Aos poucos, essa tendência vem mudando e as mulheres estão assumindo a diversidade de seus cabelos naturais. O ato representa, também, o resgate da auto estima.

“Com certeza houve o aumento de mulheres em todas as faixas etárias assumindo seus cachos. Quando eu iniciei minha transição, não via quase nenhuma menina nessa fase. Hoje vejo que a procura está bem maior e inclusive já tive varias clientes que já passaram pela transição e mulheres que todos os dias me procuram para sair da química.”, diz a cabeleireira Daiane Luiza, especialista em cabelos cacheados.

Químicas capilares e seus riscos

As químicas para os cabelos e os diversos tratamentos muitas vezes feitos de forma agressiva, acabam sendo questões que influenciam mulheres a voltarem aos seus cabelos naturais. Os riscos são muitos, como conta a dermatologista Luciane Prado: “O uso de químicas pode provocar alergias na pele com intenso prurido e formação de crostas, até alergia respiratória com tosse e falta de ar. Outro risco é causar fraturas dos fios, que provocam quedas e ressecamento das pontas.”

“O uso exagerado e as misturas sem devidos conhecimentos causam a perca da elasticidade dos fios, quebra por incompatibilidade química e até lesões no couro cabeludo.”, ressalta Wagner Silva, cabeleireiro na capital.

Mas o que é transição capilar?

Transição capilar se refere ao período em que a mulher deixa seu cabelo natural crescer da raiz. O objetivo é que os fios atinjam o comprimento ideal para o  big chop (BC).O grande corte que tira todas as pontas lisas.

Por que fazer transição?

A fotógrafa Lísia Fernanda, de 20 anos, é uma dessas mulheres que decidiram assumir seus cachos. Em transição capilar há um ano, ela conta por que quis passar pelo tratamento: “Eu alisava o cabelo desde que me lembro. Principalmente porque na minha infância não se falava sobre cuidados para cabelos cacheados. Produtos para cabelos cacheados na época eram relaxantes, alisantes, redutores de volume… Não eram para valorizar os cachos e sim tentar contê-los.”, relata.

Processo de transição de Lísia. Foto: arquivo pessoal

Lísia também conta como a internet tem sido uma aliada: “Hoje, com a internet, isso mudou. A internet aproxima a gente de outras pessoas que também passaram por isso e a gente pode pegar dicas”

 “É muito comum que as pessoas não saibam lidar com cabelos cacheados porque os cuidados são totalmente diferentes.”

Encontro de cacheadas no Parque Cesamar, em Palmas. Nesses encontros, elas podem trocar ideias, dicas e vivências sobre seus cabelos. Foto: Lísia Fernanda

A transição é um processo diário. Tem dias que amo meu cabelo cacheado, outros dias que eu desejo um alisamento. Vez ou outra eu faço chapinha e sinto alívio quando lavo e os cachos voltam. É um exercício diário de aceitação e amor próprio. Tenho que me reafirmar sempre.” conta Clarete Gomes, administradora de 29 anos que está em transição desde março de 2016.

Enfrentamento ao preconceito

Thais após 1 ano de transição capilar. Foto: Arquivo pessoal

Cabelos afro são pouco representados e levam uma carga negativa na sociedade, o motivo parte da herança racista que o Brasil ainda possui. Para Thais Castro, analista de 23 anos, assumir o seu cabelo é um ato de resistência: “Comecei meu processo de transição em janeiro de 2016. Vivi boa parte da minha vida sendo vítima de preconceito da sociedade contra pessoas de cabelo afro. Por muito tempo, eu usei meu cabelo com química com vergonha dos meus cachos devido às inúmeras críticas que já havia escutado, porém, ao perceber que eu não deveria ter vergonha do que eu tenho de mais belo, decidi iniciar a transição e voltar a ser natural. Confesso que foi a melhor escolha da minha vida.”

 

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