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Todo dia é dia do jornalista: Jocyelma Santana e os desafios dos profissionais da imprensa

Atualizada em: 15/04/2019 12:21

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É preciso falar de Jocyelma Santana, mulher, mãe, filha, esposa, amiga, professora, advogada e jornalista.  No último dia 7 de abril foi comemorado o Dia do Jornalista, recebi diversas mensagens de amigos e colegas parabenizando pela profissão e tantas publicações de carinho, reconhecimento. Mas a palavra de ordem neste momento que melhor nos define seria “coragem”.

Pois bem, por que só agora resolvi falar do “Dia do Jornalista” e por que Jocyelma Santana? Primeiro, porque os desafios que o jornalismo tem nos reservado nestes momentos de tantas mudanças são imensos. Diria que são tempos difíceis. E falar da senhora Jocyelma, 23 anos de jornalista, 46 anos de idade, é sem dúvida  minha maior inspiração para acreditar em dias melhores, já explico.

Foto: Clayton Cristus/AL/TO

Em sessão solene em homenagem aos jornalistas realizada pela Assembleia Legislativa no dia 11, no discurso de agradecimento, em nome de todos os homenageados, Jocyelma destacou o aprendizado de “viver nesta roda viva que é a vida de jornalista”. Vejo isso principalmente nos desafios de desempenhar várias funções e como nos reinventar neste momento de revolução digital.

Vamos falar de perdas? “Ouso dizer que se ganhamos em agilidade, mais acesso à diversas fontes de informação, formatos inovadores e diferenciados, perdemos em profundidade, perdemos em respeito, em tolerância, em dignidade”, Jocyelma ressaltou no pronunciamento.

Foto: Clayton Cristus/AL/TO

É preciso ver ainda a violência que estamos expostos e infelizmente isso é diário. São direitos que estão sendo perdidos. E no que acreditar neste momento? Pegando carona novamente no discurso da jornalista: “São tempos violentos. Violentos pela negação do passado, pela negação de direitos conquistados, pela negação do respeito. Violentos pelos tiros disparados contra negros, contra pobres, contra gentes. Duros pelas agressões sofridas, cotidianamente, por dezenas, centenas de mulheres, novas, velhas, pretas, indígenas, brancas. Mas cremos na cura. E não podemos deixar de crer”.

Foto: Gilvan Noleto

Então é válido lembrar que todo dia é dia do jornalista, é correr riscos, é não ser reconhecido, é desagradar a muitos. Ser jornalista é se reinventar, é correr contra o tempo em busca de informação, e lutar por respeito é pedir por condições dignas de trabalho e apesar de todos os problemas, nos mantermos jornalistas. É preciso manter a qualidade e saber que devemos sempre surpreender e emocionar o leitor (me refiro a nossa realidade online), pois no jornalismo não escrevemos para amigos. Que sejamos atuantes, levando a informação correta, corajosa e bem apurada.

Foto: Clayton Cristus/AL/TO

Jocyelma Santana, a quem chamo de “bonitona”, que todos os dias me ensina muito com seu amor pelo jornalismo e por reforçar sempre “siá, onde vamos parar?”. Talvez a resposta seja, “que independente de qualquer coisa, não fiquemos paradas”.

Compartilho com vocês o discurso na íntegra de Jocyelma Santana.

Senhoras e senhores, bom dia!

Não farei poemas neste agradecimento. Mas usarei poemas para agradecer. E começarei com as palavras de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas. Quem é esta Ana? Muitos de vocês podem perguntar. E eu respondo: é uma mulher simples, do interior. Mas cheia de sabedoria, tanto que todos vocês a conhecem.

A vida tem duas faces:

Positiva e negativa

O passado foi duro

mas deixou o seu legado

Saber viver é a grande sabedoria

Que eu possa dignificar

Minha condição de mulher,

Aceitar suas limitações

E me fazer pedra de segurança

dos valores que vão desmoronando.

Nasci em tempos rudes

Aceitei contradições

lutas e pedras

como lições de vida

e delas me sirvo

Aprendi a viver.

Não tenho toda a sabedoria da goiana Cora Coralina, avó da querida Célia Bretas, jornalista também homenageada hoje. Mas posso dizer que tenho aprendido a viver nesta roda viva que é a vida de jornalista. Sei que meus colegas homenageados nesta manhã: Wagner Quintanilha, Elcio Mendes e Wesley Silas também têm aprendido muito em suas trajetórias profissionais, cada um carregando suas dores, vitórias, alegrias e temores.

Não vivemos tempos melhores. E não sou pessimista, pelo contrário. Ouso dizer que se ganhamos em agilidade, mais acesso à diversas fontes de informação, formatos inovadores e diferenciados, perdemos em profundidade, perdemos em respeito, em tolerância, em dignidade. Ainda assim sou otimista como Cora quando escreveu.

Creio na solidariedade humana.

Creio na superação dos erros

e angústias do presente.

Acredito nos moços.

Exalto sua confiança,

generosidade e idealismo.

Creio nos milagres da ciência

e na descoberta de uma profilaxia

futura dos erros e violências

do presente.

São tempos violentos. Violentos pela negação do passado, pela negação de direitos conquistados, pela negação do respeito. Violentos pelos tiros disparados contra negros, contra pobres, contra gentes. Duros pelas agressões sofridas, cotidianamente, por dezenas, centenas de mulheres, novas, velhas, pretas, indígenas, brancas. Mas cremos na cura. E não podemos deixar de crer.

Indignação? Sim, como dizia um chefe querido: – deixa de ser jornalista aquele que perde a capacidade de se indignar (by Rogério Silva/ Rogério Silva) Indignação com a indiferença, que não dá importância ou qualquer valor ao sofrimento alheio, com a morte ainda na infância, por ausência de cuidados básicos de saúde.

E isso, se revela aqui senhores, para quem implícita ou explicitamente apelamos: precisamos de políticas públicas justas e fiscalizadas, eficiência e proatividade, economicidade que garante vida.

Nestas breves palavras, que já vão se encerrar, eu faço questão de mencionar três mulheres determinantes, perseverantes e presentes na minha vida, como representantes de suas gerações: minha mãe Josefa Santana, que me permitiu sonhar, crescer e conquistar, com sua simplicidade e firmeza. Minha irmã Jocyleia Santana, que me inspira com sua liderança natural, capacidade de reagir, renascer, buscar e realizar sempre. E por fim, uma mulher jornalista, que também foi minha aluna, virou amiga e é espelho por seu espírito de luta. Ela é carinhosamente chamada de Lequessandra. Nossa líder sindical, Alessandra Bonfim Bacelar Abreu Adrianl. A mãe da iluminada Luiza (até nisso compartilhamos semelhanças, porque tenho um filho Luiz). Agradeço a Alessandra, porque com coragem empreende, batalha, move céus e terras pelas causas que acredita.

Assim, termino, agradecendo a esta Casa de Leis, ao Sindjor, aos familiares e amigos presentes (meu irmão Jr e sua esposa Millânia Milhomem), aos irmãos de fé Nice Duarte), aos amigos queridos Adriano ( ex-alunosGilvan Nolêto, Kézia Reis, Glês Nascimento), aos colegas de redaçãoElisangela Farias), de assessorias de Comunicação, em especial os que como eu também trabalham na Secretaria Estadual de Comunicação do Tocantins. Estendo esta homenagem as diferentes gerações de profissionais, Rui Bucar, Ivonete Mota, Roberta Tum, Francisco Erasmo Pereira Damasceno. Os que começaram a trabalhar nesta área antes de mim e os que entraram depois.

Como disse no início deste agradecimento, termino estas palavras com outro poema. Desta vez, de um portuense, da idade do meu pai José Batista Freitas Santos, também aqui presente nesta manhã: Hamilton da Silva, conhecido Pedro Tierra. E faço de um trecho das palavras dele, simbolicamente, minha esperança:

Possa meu poema acender em cada um alguma coisa além das fogueiras que iluminam a frente de batalha…

A luta pra nós, companheiros jornalistas, ainda não terminou! Sigamos, com coragem!

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