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⟳ Atualizada em: 08/11/2018 08:36

A principal líder comunitária do Tocantins, Raimunda Gomes da Silva – a Dona Raimunda, morreu na noite desta quarta-feira, 7, no Povoado Sete Barracas, no município de São Miguel do Tocantins, no extremo norte do Estado, na região do Bico do Papagaio, a 624 km de Palmas(TO).

A ex-quebradeira de coco estava com 77 anos e tinha diabetes. Por conta da doença, ficou cega do olho esquerdo. Conhecida internacionalmente, dona Raimunda recebeu durante sua trajetória em defesa do trabalho no campo, em especial o das mulheres quebradeiras de coco, várias homenagens e títulos. Um dos últimos reconhecimentos foi destaque no Portal Orla Notícias no mês passado. 

A luta da trabalhadora rural e sua liderança junto às mulheres quebradeiras de coco foi registrada pelo documentarista Marcelo Silva, em 2006. (Assista)

Três anos depois, em 2009, ela recebeu o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal do Tocantins, uma das maiores honrarias concedidas por instituição de ensino superior a pessoas de reconhecido saber cultural e científico. Depois, foi indicada ao Prêmio Nobel da Paz.

Artistas tocantinenses também a homenagearam. Ouça a interpretação de Paulo Albuquerque da música que ele compôs em parceria com Paulo Aires. Cantando esta canção, Albuquerque venceu o Festival de Música de Nazaré, outra cidade do extremo norte tocantinense. 

Depois que a notícia da morte da ex-trabalhadora rural se espalhou, vários políticos e autoridades se manifestaram, em notas de pesar. Entre eles, o governador do Tocantins, Mauro Carlesse(PHS) e a prefeita da capital, Cinthia Ribeiro(PSDB). 

“Com muito pesar, recebi a notícia da morte de Raimunda Gomes da Silva, carinhosamente conhecida como Dona Raimunda Quebradeira de Coco, na noite desta quarta-feira, 7.

O Estado do Tocantins perde uma de suas maiores líderes. Dona Raimunda construiu uma extensa folha de serviços ao nosso Estado e ao Brasil, por desenvolver um importante serviço comunitário e também como trabalhadora rural e ativista de destaque nacional, que por sua atuação recebeu, entre outros, o prêmio Bertha Luz, concedido pelo Senado Federal.

Dona Raimunda foi uma das fundadoras do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), criado em 1991 e atuante nos estados do Pará, Tocantins, Piauí e Maranhão.

Nesse momento de luto e de dor, rogo ao nosso amado e eterno Deus que console os corações dos familiares, amigos e de todos os tocantinenses que certamente sentem esse momento de perda”

Mauro Carlesse / Governador do Tocantins

“O Tocantins perdeu hoje uma das lideranças sociais e ativista política mais expressiva da sua história. Dona Raimunda Gomes da Silva parte neste 7 de novembro, mas deixa para todos nós, um legado de vida incontestável.

Defensora incansável das direitos das mulheres quebradeiras de coco do Bico do Papagaio, D. Raimunda utilizou-se do seu reconhecimento político para dar voz e valor às causas dos extrativistas da Amazônia.

Sua dedicação à um mundo mais justo e igualitário será referência para as gerações futuras. Sua simplicidade e dedicação ao próximo é um exemplo que nos inspira.

Sou solidária a todos àqueles que sofrem a sua perda. Que Deus console sua família, seus amigos e admiradores e a receba em sua morada.

Meu respeito e admiração, D. Raimunda. Descanse em paz!”

Cinthia Ribeiro/ Prefeita de Palmas

Em São Miguel do Tocantins começará nesta quinta-feira, 7, o luto oficial de três dias pela morte da líder comunitária. Segundo os familiares, o corpo de dona Raimunda será velado no Povoado onde ela morava e enterrado às 16 horas também desta quinta. 

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