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“Sou negra e tenho uma filha branca”: velado ou não, o preconceito provoca medo numa mãe

Atualizada em: 05/12/2018 14:07

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“Existe sim o preconceito velado das pessoas. Quando saio na rua não deixam de ficar olhando, talvez por curiosidade. Eu sinto que as pessoas têm vontade de perguntar se ela é mesmo minha filha”. Este é o relato de Gisele Meneses Burjack, jornalista, 28 anos, negra e mãe da pequena Laura Meneses de 3 anos de idade. Gisele conta ao Papo de Mulher que tais situações são frequentes, porque sua filha tem a pele clara e os cabelos loiros.

“Já aconteceu de uma pessoa perguntar se ela era minha filha e ficar insistindo: ‘nossa ela deve parecer com o pai, né, porque não parece nada com você’. A pessoa falou isso pelo menos umas três vezes pelo fato da minha filha ser loira”, relatou a jornalista, que chegou a fazer uma desabafo no facebook sobre racismo.

“(…)Ou ainda, se sua filha tem a pele clara é ‘sua filha mesmo’ nem disfarçando a cara de espanto e acrescentando para remendar: então deve ter puxado o pai, né? Gente, se isso não for racismo, eu não sei o que é”, diz um trecho da publicação postada por Gisele em sua rede social em novembro de 2017.

Mas os desafios não param por aí, a jornalista conta que quando precisou viajar com a filha quando Laura tinha nove meses de idade, por ser alvo de muitos olhares, sentiu medo: “ pensei, que poderia surgir algum questionamento do tipo ‘ela é negra e está com um bebê branco’.

“Senti medo de viajar sozinha com ela, porque já ouvi histórias de pessoas que sofreram ações racistas, justamente por estar com uma criança com tom de pele diferente, como no meu caso. Eu estava muito assustada, com medo que acontecesse algo deste tipo. Numa situação desta você acaba desqualificada, a pessoa perde a razão, porque se acontecesse algo, teria que provar realmente que ela é minha filha”, desabafou.

Mesmo sentindo incomodada, Gisele contou que prefere ignorar os olhares racistas. “Na maioria das vezes o racismo é velado. Levo numa boa, não costumo falar sobre o assunto e deixo a pessoa no vácuo, não falo que é nem que não é. Deixo com a curiosidade dela. Mas, costumo fazer alertas contra o racismo”, destacou.

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