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⟳ Atualizada em: 21/07/2021 14:15

O Ministério da Saúde pagou 29% a mais em máscaras KN95 do que a uma empresa privada que as adquiriu na mesma época, do mesmo importador e do mesmo fornecedor. Se o mesmo preço tivesse sido aplicado, o governo teria pago US$ 51,2 milhões. Mas o valor final da compra do ministério ficou em US$ 66 milhões, US$ 14,8 milhões a mais.

Um grupo privado comprou um lote de 200 mil máscaras, por US$ 1,28 cada unidade. O governo pagou US$ 1,65 por unidade em um lote com 40 milhões de máscaras. As informações são do portal UOL, que teve acesso aos documentos.

Foto: Divulgação.

O contrato foi realizado em abril de 2020 com a 356 Distribuidora, Importadora e Exportadora. A empresa é representante no Brasil da Hong Kong Global Base Development HK Limited.

O MPF (Ministério Público Federal) está investigando contratos de compras de máscaras feitas pelo Ministério da Saúde entre março e abril. As máscaras KN95, atingiram preços até 783% mais altos do que o normal, de acordo com os documentos.

O dono da 356 Distribuidora é Freddy Rabbat. Questionado pelo UOL sobre a diferença de preço, o empresário preferiu não responder. O Ministério da Saúde também não comentou o caso.

Os advogados de Rabbat afirmaram que o preço praticado com o governo “está abaixo da média de mercado na época da aquisição”. Mas também não comentaram a diferença de preço.

O vice-presidente da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou ao UOL que irá apresentar um requerimento para que Rabbat deponha à comissão. “A história revelada é mais um elemento a mostrar que enquanto as pessoas morriam de covid-19, o governo federal superfaturava contratos”, afirmou.

O senador também irá propor a quebra de sigilo fiscal das empresas de Rabbat. Além da 356 Distribuidora, o empresário representa a marca de relógios suíços Tag Heuer, preside a Associação Brasileira de Empresas de Luxo e é conselheiro fiscal da Eucatex. Essa última empresa é da família do ex-deputado Paulo Maluf (PP). Segundo o UOL, a empresa afirma que Rabbat é parente de 4º grau dos filhos do político.

Randolfe lembrou ainda que o contrato para as máscaras KN95 foi realizado durante a gestão do ex-diretor do Departamento de Logística da Saúde, Roberto Ferreira Dias. “É mais um episódio da gestão deste cidadão, que permaneceu esse tempo todo à frente do ministério. Ele não contou nem 5% do que deveria contar.”

Depois de ser considerado suspeito no caso de propina na compra de vacinas, Dias foi demitido do ministério. Dias prestou depoimento à CPI em 7 de julho. Ele foi preso em flagrante no fim da sessão, sob a acusação de dar falso testemunho. Ele ficou detido por mais de 5 horas, pagou fiança de R$ 1.100 e foi liberado.

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