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⟳ Atualizada em: 08/11/2018 11:47

Talvez o tocantinense não tenha a real dimensão de quem foi a quebradeira de coco e líder comunitária, Raimunda Gomes da Silva, cujo corpo está sendo velado do jeito dela, simples, no Povoado Sete Barracas, no município de São Miguel do Tocantins, na longínqua e sempre cheia de conflitos rurais região do Bico do Papagaio, no extremo norte do Estado, nesta quinta-feira, 8.

Mais de 600 km separavam a mulher de palavras decididas e olhar firme da capital, Palmas. Mas sua influência rompeu fronteiras até do país. Em 2006, ela foi uma das mulheres escolhidas para ter a trajetória registrada no projeto “Mulher 500 Anos Atrás dos Panos”, do Programa Pesquisa e Documentação que a Rede de Desenvolvimento Humano(REDEH) desenvolve desde 1997. O programa mantém “o propósito de contribuir para romper com o silêncio secular que envolve a atuação, o olhar, o corpo, o saber e a fala das mulheres na nossa história”.

Livro contou a história de mil mulheres brasileiras, entre elas, a de dona Raimunda – a quebradeira de coco.

Como a própria descrição do projeto apresenta “é lugar comum, hoje, falar sobre a importância do papel e a luta das mulheres na sociedade contemporânea. No entanto, a história das mulheres é uma história recente, que se ressente de um passado mal contado, de silêncios seculares que ainda não foram suficientemente quebrados”. O livro ganhou título de “Brasileiras Guerreiras da Paz”, publicado pela Editora Contexto.

Não precisaria de mais justificativa para incluir a nossa quebradeira no cardápio das histórias. Ela tinha várias e por isso foi uma das mil mulheres escolhidas no Brasil. Uma literal guerreira da paz. Não pegou em armas, pegou no machado para quebrar coco e buscou mudanças para centenas de companheiras como ela, que viviam da extração do babaçu, numa região onde os grandes fazendeiros queriam manter para si o domínio total da terra. 

Em dezembro de 2011, Sete Barracas ganhou o Memorial Raimunda Gomes da Silva, inaugurado com festa, no dia de Nossa Senhora da Conceição. No local, uma sala simples foi construída com apoio de doações, para receber fotografias, documentos e outros registros históricos.  A ideia era manter viva a história dos trabalhadores rurais e mártires. 

Era lá que ela queria ficar e foi onde morreu na noite desta quarta-feira, 7. Raimunda já estava sofrendo com o diabetes há alguns anos, inclusive tinha perdido a visão do olho esquerdo. Alguns dos vários amigos e admiradores que conquistou ao longo da vida estarão no enterro do corpo. A despedida será às 17 horas, no cemitério local. 

Tocantins de luto: morre Dona Raimunda – a quebradeira de coco que se tornou ‘doutora’ – assista homenagens

http://www.mulher500.org.br/raimunda-gomes-da-silva-seculo-xx/

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