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⟳ Atualizada em: 10/03/2020 16:32

Por Pedro Valls Feu Rosa,
 desembargador desde 1994, 
foi presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) no biênio 2012/2013

A Organização Mundial de Saúde estima que a poluição atmosférica mata 7 milhões de semelhantes nossos a cada ano. Isto dá umas 13 mortes por minuto – ou uma a cada cinco segundos. Faça uma experiência e conte até cinco: um, dois, três, quatro e cinco. Pronto! Morreu outra!

Esqueça as guerras. Os homicídios. A tuberculose. A malária. A Aids. A poluição atmosférica, sozinha, mata mais que todos esses flagelos combinados. Vamos a outro número que choca: uma criança nascida hoje viverá, em média, 20 meses menos por conta da poluição do ar.Não se esqueça, neste quadro, da saúde mental. Recentemente pesquisadores compararam dados de saúde e exposição à poluição atmosférica relativos a 151 milhões de habitantes dos EUA e da Dinamarca. Descobriram, chocados, que as crianças mais expostas tiveram, quando adultos, índices de esquizofrenia duas vezes maiores, assim como taxas mais altas de transtorno de personalidade, depressão e bipolaridade.

Estes resultados não discrepam de outros constatados no Reino Unido. Verificou-se, por exemplo, haver uma clara relação entre o desempenho dos alunos e os níveis de poluição do ar – assim como a produtividade nos ambientes de trabalho.

Mas talvez a demonstração mais eloquente seja aquela referente à criminalidade. Veja só: nos idos de 2018 concluiu-se uma pesquisa realizada ao longo de dois anos sobre nada menos que 600 áreas de Londres. Descobriu-se que quanto mais alta a poluição do ar maiores os índices de criminalidade – não importa se nas áreas mais ricas ou mais pobres da cidade. Idênticos resultados foram obtidos em outras duas pesquisas realizadas nos EUA – a primeira pelo respeitado Massachusetts Institute of Technology (MIT) e a segunda por uma universidade da Califórnia.

Vista a poluição, lance agora um olhar aos poluidores. Veja-os abençoados pelas instituições. Homenageados e cumprimentados com subserviência nos mais refinados salões. Usufruindo de uma impunidade inversamente proporcional à dos miseráveis que enchem nossas masmorras.

Agora levante-se. Vá à janela. Contemple, enquanto ser humano, o mundo que temos construído – ou destruído – com suas nuvens de produtos químicos, resíduos, pó preto etc. Em seguida, encha seus pulmões – mas com coragem apenas, não com dignidade, pois que limpas nossas mãos apenas estão por conta da Bacia de Pilatos.

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