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⟳ Atualizada em: 03/06/2022 10:38

A produção industrial brasileira cresceu 0,1% em abril, na comparação com março, informou o IBGE. Em relação a abril do ano passado, no entanto, houve queda de 0,5%.

Apesar da terceira alta mensal consecutiva, com avanço de 1,4% no período, o setor ainda acumula queda de 3,4% no ano. A produção industrial está 1,5% abaixo do patamar pré-pandemia.

Na comparação com abril de 2021, a produção caiu 0,5%. A queda anual é a menor da sequência de nove recuos consecutivos, destaca Lucas Godoi, economista-chefe da Go Associados. O especialista destaca ainda que o IBGE revisou o dado de março, que passou de alta de 0,3% para 0,6%.

A expectativa do mercado financeiro ficava em torno de uma alta de 0,1% no mês e queda de 0,8% na comparação anual.

Para Godoi, apesar de vir em linha com o esperado, o resultado mostra que a indústria vem andando de lado: “Uma evolução dos últimos meses, mas ainda bem tímida e com muitas dificuldades”, diz.

Segundo André Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), a melhora no comportamento da indústria nos últimos três meses está atrelada ao fim das restrições sanitárias, ainda que o movimento seja modesto e insuficiente para compensar a perda de 1,9% registrada em janeiro.

“Mesmo que nos últimos 6 meses a indústria tenha mostrado 5 taxas no campo positivo, ainda assim está 1,5% abaixo de fevereiro de 2020 e 18% abaixo do ponto mais alto da série, em maio de 2011”, diz o especialista em nota.

Macedo ressalta que a retomada da indústria ainda é dificultada por uma série de fatores, como aumento do custo de produção e escassez de matérias-primas.

“Os juros elevados dificultam o acesso ao crédito e inibem os investimentos, a inflação em patamares elevados diminui a renda das famílias, o mercado de trabalho ainda não se recuperou e a massa de rendimentos não avança. Assim, há menor recurso por parte das famílias para que a demanda doméstica alavanque o consumo e a produção”, diz.

Das 26 atividades monitoradas no setor, 16 registraram alta em abril, com destaque para coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, diz o IBGE. Essa atividade apresenta crescimento de 4,6%, após dois meses seguidos de queda, período em que acumulou perda de 2,6%.

Outras atividades que contribuíram para a variação positiva de abril foram: bebidas (5,2%) e outros produtos químicos (2,8%), diz o instituto.

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