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⟳ Atualizada em: 11/06/2021 19:21

Amplamente recomendada por cientistas e alvo de desdém do presidente ao longo da pandemia, a máscara facial contra a covid-19 poderá ter seu uso flexibilizado no Brasil, segundo anunciou Jair Bolsonaro nesta quinta-feira ( 10 ).

No mesmo dia em que o país registrou mais 2.504 mortes pela doença nas últimas 24 horas, chegando a um total de 482.019 óbitos, Bolsonaro afirmou em um evento: “Nosso ministro (da Saúde) vai ultimar um parecer visando a desobrigar o uso de máscara por parte daqueles que estejam vacinados ou que já foram contaminados.”

Horas depois, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que o presidente pediu um estudo sobre a flexibilização do uso de máscaras, conforme avança a vacinação no país.

O presidente já apareceu em diversas ocasiões sem ele próprio usar a máscara, inclusive em aglomerações e viagens pelo Brasil, e já deu declarações questionando os benefícios do item.

Outras partes do mundo que já chegaram a um controle da doença e percentual de vacinados bem maiores do que o Brasil estão discutindo o relaxamento do uso de máscaras para quem foi imunizado  e mesmo assim tais medidas estão sendo alvo de debates e críticas por boa parte da comunidade científica.

O Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos anunciou em abril que pessoas com a vacinação completa podem deixar de usar máscaras na maioria dos lugares  com exceção por exemplo da rede de transportes, hospitais e prisões. O governo britânico também está conduzindo alguns estudos para avaliar a possível flexibilização de medidas preventivas contra a covid-19, incluindo a exigência de máscaras.

“Os Estados Unidos e a Europa começaram a discutir isso com baixos níveis de contágio, mortes e variantes circulantes. É outra realidade, absolutamente incomparável com o Brasil”, diz o médico Estevão Urbano, diretor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

O médico epidemiologista Antônio Augusto Moura da Silva, professor do Departamento de Saúde Pública da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), compartilha da perplexidade do colega.

“Lá fora, a decisão foi tomada baseada na alta eficácia das vacinas, uma cobertura vacinal que já chegou a 50%, e a circulação viral baixa. Há um controle muito maior do que o nosso. No Brasil, a doença está solta”, diz Silva, acrescentado que a medida anunciada pelo presidente “não faz sentido do ponto de vista técnico”.

Vejam alguns dos motivos para que o Brasil não relaxe o uso das máscaras:

01 – ‘Doença solta’: alta mortalidade, contágio e circulação de variantes.

02 – Baixa cobertura vacinal

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