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Piadas e brincadeiras reforçam machismo: mais de 2.200 mulheres são vítimas de agressões físicas no Tocantins

Atualizada em: 03/12/2018 17:12

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Um copo quebrado na testa, vários cortes e dez pontos. Este é o resumo de mais um ato de violência registrado contra uma mulher neste domingo, 2, em Araguaína, a 380 km de Palmas. A justificativa de Marcelo Alves Ferreira, de 41 anos, suposto autor, é que teria agido no calor da emoção: “momento de álcool, o sangue subiu na cabeça e a mulher falou besteira para minha mulher”, afirmou Ferreira em um áudio que circula nas redes sociais.

Neste caso, o suposto autor garante que a vítima teria ameaçado sua mulher, quando as duas estavam no banheiro. Mas e aí, tal violência tem justificativa? Desta vez foram alguns cortes, mas e aí e o que poderia ter acontecido?

Espingarda apreendida em Goiatins

Já na madrugada desta segunda-feira, 3, um homem de 37 anos foi detido com uma espingarda calibre 20, após ameaçar a esposa dentro de casa em Goiatins, no centro leste tocantinense. Ela foi agredida fisicamente mas conseguiu chamar a Polícia Militar e o autor foi conduzido para a Delegacia de Polícia Civil, autuado por violência contra mulher e porte ilegal de arma de fogo. 

A defensora pública Elídia Monteiro ressalta que piadas e brincadeiras machistas ajudam a construir e reforçam a imagem que o homem tem poder sobre o corpo e a vida da mulher. “São aquelas piadinhas que incentivam a esta atitude e reforçam esta construção social. O homem tem esta dominação por ter uma estrutura física mais forte. Mas nada justifica a violação a integridade física ou qualquer violência contra a mulher”, destacou .

Ocorrências PM

No Tocantins, a Polícia Militar atendeu 2.891 casos de violência contra mulher de janeiro a novembro deste ano. Uma média de nova ocorrências por dia. Vale ressaltar que a violência não tem classe social, é registrada em todos os lares e por vários fatores, entre os principais, o sentimento de posse e o machismo.

A violência física é a principal delas, 2.266 ocorrências registradas. A psicológica é a segunda maior, com 479 casos. Os dias da semana com maior incidência são os domingos, com 745 casos e os sábados, com 620 ocorrências.

Os períodos de maior incidência são noturno com 1796 registros. Palmas é a cidade que mais registra este tipo de crime, proporcional ao número de habitantes sendo 1284 ocorrências.

Casos

A Defensoria Pública do Tocantins atendeu uma média de 150 mulheres por mês durante o ano de 2018, todas vítimas de violência. De acordo a defensora, os números ainda são inferiores a realidade do que realmente acontece. “Hoje temos mulheres mais conscientes, que denunciam, que buscam por ajuda. Estes números mesmo sendo altos, ainda não retratam o que realmente acontece”, afirmou.

Nos casos de violências domésticas, as mulheres ainda ocupam uma posição inferior e demoram a entender a gravidade do que está acontecendo. “Mesmo tantas mulheres sendo as chefes de família, ocupando mais lugares no mercado de trabalho, tem a questão opressora. E muitas vezes demoram a perceber que são vítimas dos diversos tipos de violência e buscam justificativas o que só agrava ainda mais os casos”, ressaltou.

Foto: Divulgação web 

 

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