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⟳ Atualizada em: 16/05/2022 21:27

A Escola de Tempo Integral (ETI) Fidêncio Bogo, localizada na área rural de Palmas, região Taquaruçu Grande, tem buscado colocar na prática o legado do patrono da educação brasileira, o educador Paulo Freire. Construir uma educação inclusiva e que reflita a realidade dos alunos e das suas famílias, integrando a comunidade e os profissionais da educação. Uma das medidas para garantir essa proximidade é o Projeto Conhecer, em que os profissionais da educação visitam as casas dos alunos e assim conhecem os desafios que estes enfrentam até chegar à escola.

“É a oportunidade de vermos onde os nossos alunos moram, se tem saneamento, água encanada, banheiro, energia elétrica. Como são as condições de moradia, sua rotina, alimentação e os laços familiares”, detalha a professora Marina Augusta Kamei Melo. Ela conta que tem caso de crianças que precisam fazer um grande percurso até pegar o ônibus, passando por atoleiros; chegam molhadas na escola, inclusive o material escolar, porque não têm uma capa de chuva para se proteger. “Esse aluno já chega em condições desfavoráveis e envergonhado, e precisamos entender a situação e acolhê-lo. Conhecer a realidade dos alunos é uma forma de sensibilizar os profissionais da educação”, argumenta Marina.

A professora comenta que os alunos recebem os profissionais com muita alegria, querem mostrar o quarto, sua casa, o quintal. “É um momento muito especial, em que os alunos também se sentem importantes e amados pela escola. Essa observação possibilita para nós, professores, entendermos melhor o comportamento de cada aluno”, comenta.

Marina relata que, em algumas visitas, é possível encontrar situações precárias, como falta de condições mínimas ou ambiente de violência. Nesses casos, a escola busca o Conselho Tutelar e adota as medidas necessárias para garantir o bem-estar dos seus alunos. “A educação precisa ir além da sala de aula, para ser efetiva e realmente integrar os alunos”, finaliza.

Educação e liberdade

Paulo Freire defendia uma maneira de educar ligada ao cotidiano dos alunos e às suas experiências, amparada no diálogo entre professor e aluno. A ETI Fidêncio Bogo, ao reivindicar o ensino da agroecologia, conecta-se com a comunidade de Taquaruçu Grande e o cotidiano dos seus alunos, que vivenciam a vida no campo. Os alunos aprendem técnicas de plantio, criação de animais, o processamento dos alimentos e também a comercialização, com incentivo ao empreendedorismo.

Maria Aline Putêncio Reis é uma das mães de alunos da ETI. Ela faz elogios pelo cuidado com a educação da sua filha e diz que é muito bom receber os professores na sua casa. “Além desse cuidado em saber a realidade de cada aluno, minha filha, Pâmela – estudante do 3º ano do ensino fundamental -, tem aprendido e também ensina muitas coisas para nós. Com ela aprendemos a cultivar ervas medicinais e temperos. Ela fez mudas na escola e vendeu na feira da escola, aprendendo a colocar o preço no produto e comercializar. E, no dia a dia, ela fica me contando como posso usar o açafrão, o alecrim e o urucum para temperar a comida”, compartilha.

O projeto Mais Agroecologia ensina desde a produção, processamento e também a comercialização dos produtos, buscando ampliar o conhecimento dos alunos. “Nosso objetivo não é transformar os alunos em produtores rurais, mas hoje seus pais vivem essa realidade e eles também, queremos ensinar de forma integrada com suas vivências. Essa troca de experiências, em que os alunos levam o conhecimento deles, mas também trazem o que já sabem, assim como seus pais participam de oficinas partilhando suas habilidades”, explica o professor Edivan Araújo Batista.

Edivan conta que a produção dos alunos, desde a horta, mudas, ovos das galinhas e codornas, os alimentos que aprendem na cozinha experimental, são comercializados em uma feira, oportunidade em que são ensinados e motivados a precificar os produtos e a comercializá-los.

ESCOLA FORA DOS MUROS
Data: 10.05.2022
Local: ETI FIDENCIO BOGO

 

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