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⟳ Atualizada em: 11/07/2018 16:03

São tantas frases formuladas para dizer o quanto a vida é curta, o quanto a vida é um sopro, o quanto a vida é rápida. Não vou utilizar nenhumas delas para definir a vida, seria muita prepotência. A dúvida é constante: deve-se viver fazendo o que tem vontade como se hoje fosse o último dia ou viver o hoje construindo alicerces para uma vida longa? A resposta certa não existe, porque a vida é incerta mesmo, ela é dessas. E, pensando na importância de viver a vida intensamente, independente de ter 5 minutos ou 50 anos, me lembrei de uma frase que diz: “Deus está nos detalhes”, é isso, a vida é reparar nos detalhes, talvez essa seja a melhor forma inconsciente de aproveitá-la da melhor maneira possível.

Há alguns dias, um amigo meu que é a personificação do termo “homem de negócios”, me deu um bom exemplo sobre a importância dos detalhes. Ele é aquela pessoa que passa o dia no telefone, trabalhando e convivendo com diferentes tipos de pessoas, vive com a cabeça cheia de obrigações, e conseguir falar com ele durante o dia é como ganhar em um bingo. Ele é desses que anda com o uniforme bem alinhado, postura de quem sabe o que está fazendo, mas como 24 horas é pouco para tudo o que ele precisa fazer diariamente, ele costuma não reparar em nada além de relatórios, ligações e emails. Eu não estava brincando, ele é mesmo um homem de negócios.

Ele estava em uma de suas obrigações diárias do trabalho, quando começou a reparar nos pêlos dos dedos, esses que são sincronicamente alinhados. Ele começou a observar com mais atenção e realmente ficou admirado com aquele pequeno detalhe, então naquele instante ele decidiu que deveria adiar a sua tarefa do trabalho pra poder acompanhar o pôr do sol, ótima troca por sinal! Ele realmente precisava abandonar por algumas horas aquele peso do homem de negócio e sentir a leveza de ser apenas o homem que acompanha a despedida diária do sol. Ele precisava falar sobre Et’s, sobre suas experiências quando era criança e depois falar sobre nada, enquanto contemplava o silêncio de uma bela vista da natureza, com a música do Elvis como plano de fundo distante. Incrível, essa foi a recompensa de uma pessoa que durante 27 anos de vida, resolveu tirar a venda dos olhos e reparar na vida em apenas um dia, nem dá pra imaginar o impacto se fizéssemos isso todos os dias de nossa vida.

Outro dia eu estava no supermercado e havia esquecido o meu celular em casa. Fui para a fila do açougue e fiquei “contemplando” as prateleiras ao meu redor, até que reparei na organização de variados tipos de pimenta no carrinho de um senhor que estava à minha frente. Eram pimentas vermelhas, amarelas, verdes e bem organizadas no carrinho de compras, achei um tanto quanto curioso, então para a minha surpresa o senhor virou-se, e sem aviso e sem apresentação, iniciou uma conversa e me disse o quanto estava impressionado com o preço das pimentas, afirmando que estavam mais baratas no mercado do que se encontra na feira. Ele dividiu comigo o seu plano para as pimentas, e que estava levando tipos diferentes porque iria colocá-las em um recipiente grande de vidro e organizá-las em camadas, e ainda mostrou uma bandeja com cebolas roxas, que serviriam para dividir as camadas. Confesso que foi uma conversa bem produtiva, apesar de eu entender pouco sobre pimentas, mas já pensou que tragédia seria se eu tivesse levado o celular para o mercado e não tivesse levantado a cabeça para prestar atenção à minha volta e perdido essa história, nem quero pensar.

Todos os dias fazemos o mesmo percurso para o trabalho, nunca pensamos em mudar o trajeto para conhecermos paisagens diferentes, e talvez até esbarrar com pessoas diferentes. O semáforo é um estacionamento de mentes apressadas, com olhares atentos que têm como desejo mais profundo o sinal verde, para finalmente seguirem em frente, e assim ninguém se olha ou se fala, são completos desconhecidos e isso parece nunca mudar. As filas de bancos estão cheias de pessoas que convivem no mesmo ambiente, têm as mesmas necessidades, no entanto, se recusam a observar a pessoa que está sentada ao lado e perguntar: “que horas são?”. Imagina, perder tempo com todas essas coisas, quem ousaria? Só quem tem muita coragem mesmo para enxergar o que tem por trás da janela fechada.

Estamos precisando disso, de percepção, reparar no gesticular das pessoas, nas flores do canteiro da praça, na senhora que atravessa a faixa de pedestre, acordar cedo pra ver o nascer do sol, observar a lua do lugar mais alto da cidade, ou se tudo isso for muito trabalhoso, então que tenhamos pelo menos a sabedoria de contemplar a beleza dos pêlos das mãos, então todo o resto começará a fazer sentido e a vida agradece!    

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