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⟳ Atualizada em: 07/04/2021 15:29

Acuado por críticas dentro da própria base aliada no Congresso, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) decidiu reagir para evitar a perda de apoios um ano antes de tentar se reeleger.

Nos últimos dias, além de ter reformulado a articulação política do governo, hoje comandada por nomes de partidos do chamado centrão, o presidente nomeou o novo ministro da Justiça, Anderson Torres, para reconstruir pontes no Poder Legislativo.

Com relação estreita com a bancada da bala, o delegado federal tem como desafio buscar reaproximar a frente parlamentar do Planalto.

Foto: Divulgação internet.

Bolsonaro foi eleito em 2018 com o discurso da segurança pública e o apoio de integrantes dessa bancada, mas decisões do governo o distanciaram do bloco.

O novo ministro usou sua cerimônia de posse, nesta terça (6), para demonstrar alinhamento a Bolsonaro.

“A segurança pública foi uma das principais bandeiras da sua eleição e ela voltará a tremular alta e imponente. Isso eu posso garantir a vossa excelência, estejam certos disso”, afirmou.

Antes mesmo de tomar posse, Torres já havia entrado em contato com parlamentares que atuam na área da segurança pública.

Na semana passada, visitou os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ao lado da nova ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda (PL-DF), que terá o papel de encabeçar a articulação política.

“O ministro está organizando uma agenda para que possamos alinhar as ações da comissão com o interesse nacional, respeitando a independência dos Poderes”, disse à reportagem o presidente da Comissão de Segurança Pública da Câmara, Emanuel Pinheiro Neto (PTB-MT).

A nomeação de Torres, que era secretário da Segurança Pública do DF, teve como objetivos tanto dar mais visibilidade à bandeira eleitoral do combate à violência quanto retomar a interlocução do governo com as forças policiais.

A ausência de interlocução tem sido motivo de queixas desde o ano passado.

Para integrantes da bancada da bala, que muitas vezes atuam como espécie de porta-voz das demandas das polícias civil e militar no Congresso, o presidente privilegiou uma relação com as bancadas evangélica e ruralista e acreditou que o apoio do grupo seria incondicional.

“Falta diálogo do presidente com a nossa bancada. Em dois anos, não entendo por que Bolsonaro não se reuniu conosco”, reclamou o líder do grupo parlamentar conhecido como bancada da bala, Capitão Augusto (PL-SP).

Além disso, posturas recentes desagradaram integrantes da frente, como o fato de o Ministério da Saúde não ter adiantado o cronograma de vacinação a todos os agentes policiais e o impedimento de reajuste salarial para a categoria no âmbito da PEC Emergencial, proposta do Ministério da Economia.

A bancada da bala também se mostrou incomodada ao não ter sido consultada sobre a escolha de Torres e, na eleição à sucessão da Câmara, chegou a lançar candidato próprio contra Lira (apoiado por Bolsonaro) –na última hora, acabou desistindo.

Em conversa recente relatada à reportagem, Bolsonaro se irritou com críticas públicas de integrantes da frente da segurança e manifestou preocupação com um afastamento de parlamentares antes alinhados ao governo.

O que mais causou incômodo foi o fato de congressistas terem elogiado o governador João Doria (PSDB-SP) por ele ter anunciado antes uma previsão para o início da vacinação contra a Covid-19 de agentes de segurança.

Na avaliação de assessores palacianos, o tucano (pré-candidato em 2022) iniciou ofensiva para ganhar apoio na bancada da bala diante da insatisfação de deputados e senadores com Bolsonaro.

Como uma espécie de reação, a ideia é de que Torres, que já foi chefe de gabinete do ex-deputado Fernando Franschini (PSL-PR) e diretor de assuntos parlamentares da Associação Nacional dos Delegados da PF, tenha uma atuação mais incisiva no Congresso.

Para ter êxito, no entanto, o novo ministro enfrentará desafios. Segundo o líder da bancada da bala, a gestão de Torres à frente da Segurança Pública do DF “deixou rusgas com a Polícia Militar”.

“Este ministério é 99% Justiça e 1% Segurança Pública.

Vamos ver se ele dá um equilíbrio e começa a dar uma atenção maior à segurança e se vai estabelecer este diálogo”, afirmou Capitão Augusto, que disse não ter sido convidado para a posse.

A mudança na articulação política ocorre no momento em que o presidente voltou a ser pressionado pela abertura de um processo de impeachment e pela queda dos seus índices de popularidade.

Na tentativa de reconstruir pontes, Bolsonaro retirou a articulação política do general da reserva Luiz Eduardo Ramos, que passou para a Casa Civil, e escalou três ministros políticos para atuar na linha de frente.

Além de Torres, têm dialogado com congressistas Flávia Arruda e Fábio Faria (Comunicações). Os dois últimos, que têm mandato na Câmara, atuam para tentar melhorar a relação do presidente com o centrão, sobretudo diante da ofensiva eleitoral do ex-presidente Lula (PT) sobre o bloco partidário.”

A ministra, nomeada por sua proximidade com Lira, trabalhou durante o feriado de Páscoa para evitar uma crise política entre o Ministério da Economia e o Congresso por causa da sanção do Orçamento. Na semana passada, ela se reuniu tanto com o ministro Paulo Guedes como com Lira.

Para a Secretaria de Governo, Bolsonaro chegou a cogitar o nome do senador Eduardo Gomes (MDB-SE)”, líder do governo no Congresso, em um aceno ao Senado.

O presidente, no entanto, foi convencido de que, nesse momento, seria melhor ter no Planalto um aliado de Lira, uma vez que cabe ao presidente da Câmara iniciar um processo de impeachment.

“O governo tem trabalhado em sintonia com o Congresso, o que tem sido muito bom para o país”, disse Faria.

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