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⟳ Atualizada em: 12/06/2018 15:02

Fazemos parte daquele grupo que não preparou nada para o dia 12 de junho, me refiro à algum jantar romântico ou um pedido de noivado surpreendente. Nossas prioridades nesta terça-feira,12, são nada além de nós mesmos, somos solteiros, sonhadores e exagerados. É fácil nos identificar na multidão, assim como é perceptível os casais de namorados espalhados ao nosso redor.

Calma, estamos bem neste dia dos namorados. Não há motivo para ódio em se deparar com o congestionamento de fotos e declarações de amor em nossa timeline. Agora está tudo bem, mas algum dia não esteve. Em outros tempos, fazíamos parte de categorias diferentes à que pertencemos hoje. Já fomos do grupo que fazia textão no Facebook para expressar todo amor que a gente não tinha onde guardar, e era necessário compartilhar com o mundo. Nessa época fomos surpreendidos com flores no trabalho, e com aquele box de livros que tanto sonhávamos. Passamos dias preparando uma surpresa simples e particular com a simples ambição de ganhar um sorriso de gratidão.

Já pertencemos também ao grupo que odiava o 12 de junho, porque nos lembrava com todo impacto do fim que quase nos destruiu, quase! Achamos mais fácil dizer ao universo que amor não existia ou que era uma grande mentira. Odiávamos pessoas apaixonadas por um motivo óbvio e inconsciente: elas nos lembravam de nós mesmos em tempos passados. E o dia dos namorados era a data que sempre trazia a seguinte reflexão: “e se tudo tivesse sido diferente?”. Lotávamos a nossa mente com tantos “e se…”, para depois descobrirmos o quanto todos eles eram desnecessários e descartáveis.

Não sabemos o dia exato em que fomos promovidos a participar desse seleto bando de pessoas que estão solteiras e felizes, e carregam uma leveza na alma enquanto seguram sua xícara de café ou sua caneca de chopp. Não pense que não somos românticos, atenciosos e avassaladores. Em alguma gaveta interna, guardamos todas essas emoções que nos causaram tanto mal, mas que agora sabemos exatamente como usar e quando usar.  

Não nos incomodaremos mais com as declarações de amor e as manifestações de carinho em nossas redes sociais e mundo real, porque em algum lugar ainda acreditamos que isso também possa acontecer pra nós, no entanto, não criamos expectativas, apenas acreditamos que nossa vida pode mudar a qualquer momento por um amor avassalador que mude nossa direção que sempre esteve planejada, ou uma proposta de trabalho que nos leve pra longe da nossa zona de conforto. Estamos em paz enquanto nada acontece e a vida acontece.

Agora nós sabemos a importância de fazer parte desse grupo, pois é aqui onde aprendemos que, quando chega o fim de um relacionamento, é a hora que somos obrigados a nos pedir em namoro e viver nesse relacionamento entre nós e nós mesmos por tempo indeterminado. E o irônico é que somos permitidos a praticar a bigamia quando encontramos alguém, já que o ato de namorar a si mesmo é a única união onde há a garantia do “felizes para sempre”. 

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