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⟳ Atualizada em: 12/02/2021 16:03

Chegou a hora, não dá mais para segurar. Depois de quase um ano de pandemia, Maria Bethânia vai se juntar ao bloco das lives neste sábado. A cantora diz ter aceitado fazer sua primeira apresentação ao vivo sem público agora porque já aprendeu muito vendo os shows nesse formato e que não adianta fingir ou mentir.

“Aprendi que não é para fingir que está fazendo como você é no normal, porque nada é normal neste momento”, diz ela por telefone do Rio de Janeiro, onde mora. “Estou fazendo sabendo que não tem público, que não tem aplauso, que não tem a resposta imediata do que falo, do que digo, do que canto.”

Por isso, diz ela, está trabalhando para fazer uma coisa que toque as pessoas, que chegue a elas sabendo que estão distantes. “Não tem mentira.” O show, que acontece num dos palcos da Cidade das Artes, na zona oeste do Rio, será transmitido pelo Globoplay.

Foto: Divulgação.

Não fosse o vírus, o sábado seria de Carnaval, porém, a vencedora com a Mangueira cinco anos atrás vai deixar a folia deste ano de lado. “Primeiro, porque eu não sou carnavalesca e, depois, porque no mesmo dia tem show da Ivete Sangalo e da Claudia Leitte. Quer mais Carnaval?”, diz Bethânia quando questionada se levará a energia da festa para sua live.

A cantora diz que tampouco cantará sambas-enredo, nem mesmo aqueles dos quais foi tema. Bethânia foi a homenageada da Mangueira há cinco anos com “A Menina dos Olhos de Oyá” e, em 1994, pela mesma escola, com Gal Costa, Gilberto Gil e Caetano Veloso, foi tema de um desfile sobre os Doces Bárbaros, com o samba “Atrás da Verde e Rosa Só Não Vai Quem Já Morreu”.

“Vou cantar algumas coisas do meu repertório mais desejado pelo público, passar por alguns shows que já fiz e que hoje são pertinentes”, diz ela, mencionando “Brasileirinho” e “Rosa dos Ventos”, que este ano faz 50 anos de estreia. “Passo pelas boates, pela noite -que tem uma relação com meu disco novo”, completa.

“Noturno”, o próximo álbum de Bethânia, que deve ser lançado no fim de março, foi gravado no ano passado e tem composições de Tim Bernardes, Chico César e Adriana Calcanhotto, incluindo “2 de Junho”, sobre a morte de Miguel Otávio Santana da Silva, que caiu do prédio em que a patroa de sua mãe morava, no Recife. “Uma coisa dramática”, diz Bethânia.

Ela conta ainda que abre o disco cantando “Bar da Noite”, sucesso na voz de Nora Ney nos anos 1950. “Quando eu era menina, era louca por essa canção”, diz a cantora. Segundo ela, o disco é variado, “como os meus de sempre”, mas, talvez, com uma sobriedade maior. “Na minha voz, hoje em dia, a menina pouco aparece. É muito mais a voz da mulher, de uma mulher madura, de 74 anos.” Os arranjos também são sóbrios, com piano e voz, ou violão e voz, na maior parte das músicas.

Bethânia diz que anda quieta, trancada em casa desde março do ano passado. Conta que, contra as recomendações que surgiam sem parar desde o começo do isolamento social, não arrumou armários -“está tudo uma bagunça”-, leu algumas coisas, mas não passou a ser mais leitora do que já era, e que tem visto pouca televisão -nada de reprise de novelas, mas sim seriados.

Ela, que já foi trilha de tantas novelas, agora essas também suspensas pela pandemia, diz que acompanhava “Amor de Mãe”, “uma ótima novela”, na qual sua voz embalava Lourdes, a protagonista vivida por Regina Casé, com “Onde Estará o Meu Amor”. A trama das nove deve voltar com capítulos inéditos no dia 15 de março.

“Estou cansada, como todo mundo. Todo mundo está abatido, sentido e assustado. Eu também. O noticiário é sempre difícil”, diz Bethânia. “A pior coisa nessa pandemia é perder a espontaneidade, a naturalidade do gesto, do convívio, do contato. É muito difícil você desaprender e reaprender rapidamente, de uma maneira imposta, rígida e dura.”

É no bordado que ela se acalma. Bethânia diz que voltou à prática na pandemia e que aprendeu a bordar na infância, obrigada, nos primeiros anos da escola, que cursou numa instituição religiosa. “Mas eu não bordo paisagem, nem formas, nem nada disso. Eu bordo letras de músicas, poemas, versos soltos”, diz.

A capa de seu próximo disco será, conta, um desses bordados. Alguns, ela dá de presente para amigos. Outros, guarda. “Recebo muitas coisas de amigos, coisas que são bonitas, que não conheço, que são importantes, e retribuo bordando, assim reservo para mim, e fica mais meu, recebo mais.”

Pois sábado, “nessa noite de magia”, como canta a letra do samba mangueirense, será de Bethânia, “abelha rainha, fera ferida, bordadeira da canção”.

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