0
Compartilhamentos
Pinterest Google+

⟳ Atualizada em: 19/07/2022 16:51

Por Renata Agostini

Líderes do Centrão têm dito, em conversas reservadas, que não seguirão ao lado de Jair Bolsonaro (PL) caso ele decida questionar o resultado eleitoral, tampouco apoiarão uma tentativa de golpe. Mas nenhum deles pretende questionar publicamente as declarações de Bolsonaro que colocam em xeque o sistema eleitoral, como as que foram feitas ontem à comunidade internacional.

Na visão dessas lideranças, se nem Arthur Lira (PP-AL), que é presidente da Câmara, fez tal movimento, não caberá a eles fazê-lo.

Cada um expõe motivos para sustentar a inação: Ciro Nogueira (PP) é ministro da Casa Civil, Valdemar da Costa Neto (PL) é comandante do partido do presidente, e Marcos Pereira (Republicanos) está tocando sua própria campanha à Câmara e tem metas ambiciosas para aumentar a bancada de deputados da sua legenda.

Criticar Bolsonaro seria arriscar causar uma fissura na relação com o principal cabo eleitoral destes partidos na eleição, arriscando um efeito rebote na adesão do eleitorado bolsonarista.

Os presidentes dos principais partidos que dão apoio a Bolsonaro chegaram a debater o que fariam caso o presidente perca a eleição e leve adiante o questionamento ao resultado.

O encontro se deu há pouco mais de um mês em São Paulo. Segundo o relato de um dos presentes, os caciques partidários descartaram apoiar Bolsonaro no que seria uma “aventura”.

Na conversa, levantaram-se dúvidas sobre se Bolsonaro teria de fato o apoio das Forças Armadas para levar adiante um golpe, ainda de acordo com o relato de um presidente partidário que participou da conversa.

Houve diagnóstico de um deles de que o movimento do presidente pode se revelar uma “bravata” e que ele não conseguiria sustentar o processo de ruptura, levando lideranças que o apoiaram à prisão.

A existência do debate, contudo, mostra como a desconfiança sobre a intenção do presidente em cumprir a Constituição e preservar a democracia está presente na cúpula dos partidos que compõem sua base aliada.

Nos bastidores, abundam críticas e sobra inércia. Uma dessas lideranças diz que a atitude de Bolsonaro com os embaixadores no evento desta segunda-feira (18) foi “horrível” e “péssimo” para a imagem do país.

A cúpula dos partidos do Centrão entende que Bolsonaro ganharia mais explorando feitos do seu governo ou benesses dadas à população para turbinar sua campanha. Há desânimo, porém, no diagnóstico sobre os próximos passos presidenciais.

A avaliação é que ele não se curvará aos apelos da ala política, já quem tem renovado a disposição para atacar o sistema eleitoral. “Não tem solução. Todo mundo já falou que ele deveria parar, mas ele não para. Não tem mais o que fazer”, diz o presidente de um importante partido do Centrão.

Post Anterior

YouTube retira do ar vídeo de 2021 de Bolsonaro sobre urnas eletrônicas

Próximo Post

Partido de Bolsonaro pede ao TSE descredenciamento de empresa que auditaria eleições

Sem comentários

Deixar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.