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⟳ Atualizada em: 19/05/2022 11:44

Quem gosta de comprar frutas e legumes frescos, vindos diretamente do produtor, ou colhidos no dia, já deve ter percebido que a feira não é mais a mesma: há menos barracas, menos produtos e menos pessoas circulando e fazendo compras. “Estamos trazendo uma quantidade reduzida de produtos”, conta o feirante Rosivaldo Araújo Oliveira, que vende verduras. “Logo que os preços dispararam, as vendas caíram, houve uma resistência do consumidor”, lembra.

Paulo dos Santos Vieira, que tem uma barraca de frutas, diz estar enfrentando a mesma dificuldade. “A maior mudança que eu tive de fazer foi na quantidade de mercadorias que eu trago para vender. Se antes eu pegava 100 abacaxis, hoje eu só trago 50. O pessoal de casa diminuiu os gastos, e coisas que eram necessidades hoje viraram supérfluo”, avalia o comerciante. Para ele, a pandemia não atrapalhou os negócios. “O que mais prejudica o feirante, hoje, é o aumento do diesel; a pandemia, não, ela virou desculpa para tudo, todo mundo quis tirar proveito.”

O que os dois profissionais revelam é reflexo, principalmente, da inflação, que acumula alta de 4,29% nos primeiros quatro meses de 2022, ou de 12,13% nos últimos 12 meses, de acordo com o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), medido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Esses são os maiores índices registrados em 19 anos. 

O que os números indicam os consumidores vêm sentindo no bolso mês a mês: o preço do tomate, por exemplo, praticamente dobrou em um ano, teve alta de 94,55% de março de 2021 a março de 2022, segundo o IPCA. O quilo do tomate, que já custou algo em torno de R$ 5 a R$ 8, hoje não sai por menos de R$ 15. O aumento da cenoura no mesmo período foi ainda maior: 166,17%.

Por conta da inflação mais alta, a população tem mudado de hábitos. O consumo nos lares brasileiros aumentou 2,59% no primeiro trimestre deste ano, de acordo com o Índice Nacional de Consumo dos Lares Brasileiros da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), divulgado em 12 de maio. A maior variação do consumo no trimestre foi registrada em março, uma alta de 6,58% na comparação com fevereiro. 

Risco de fechar

Para Ricardo Pastore, gestor-administrador da Afecor (Associação dos Feirantes e Colaboradores de Osasco ( SP ) e Região), entidade que reúne 53 feiras diurnas e duas noturnas, o segmento de feiras livres passa por sérias dificuldades. “Primeiro, ele foi afetado pelo fechamento de tudo e pela recomendação para todos ficarem em suas casas. Naquele período, teve feira cujo rendimento caiu 50%. Agora, a renda das pessoas baixou, e elas estão deixando de frequentar, principalmente por causa dos preços altos, mas que ainda são menores que em outros lugares”, explica.

Ele lembra que esse tipo de comércio engloba 23 ramos, que vão do conserto de panelas à venda de flores, dos temperos a granel às ferragens e tiras de chinelos. “Tem muitas coisas que só existem nas feiras. Infelizmente, as menores estão enfrentando dificuldades extremas”, afirma. Pastore diz que, mesmo antes da pandemia, o setor já estava em crise, motivada pelas mudanças sociais que estão em curso há alguns anos, como o fato de os dois membros do casal passarem o dia fora de casa ou de os idosos não terem mais o hábito de cozinhar.

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