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⟳ Atualizada em: 04/06/2021 16:55

O médico Marcelo Queiroga assumiu o Ministério da Saúde em 23 de março com a meta de vacinar 1 milhão de pessoas por dia no país contra a covid-19. Porém, nos dois meses e meio que está no comando da pasta, apenas duas vezes o Brasil atingiu o número previsto, em 2 e 6 de abril. A quantidade insuficiente de imunizantes e a irregularidade na distribuição das doses aos estados e municípios são as principais causas apontadas por especialistas para o ritmo lento da imunização contra a doença.

A epidemiologista Carla Domingues, que coordenou o PNI (Programa Nacional de Imunizações) por oito anos, é taxativa ao falar sobre a campanha da vacinação da covid-19. “Não conseguimos atingir essa meta porque não temos vacina, simplesmente por isso. Outro ponto chave é que não temos regularidade na distribuição de doses aos municípios”, explica a especialista.

O infectologista Renato Kfouri, diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), concorda e acrescenta que a entrega de doses para o Ministério da Saúde é muito lenta. “Falta vacina. Um milhão [por dia], a gente vacina fácil. Se tivesse vacina hoje, já teriam 2 milhões, 2,5 milhões [de doses aplicadas] por dia. A gente fica recebendo vacinas a conta-gotas e, quando chegam, não distribuímos todas”, ressalta.

De acordo com Carla, a falta de doses atrapalha a logística e o ritmo da imunização. “Entregamos 5 milhões de vacinas toda semana, sendo que há semanas que não têm entregas. Na distribuição, cada município recebe uma pequena parcela e a vacinação é pulverizada. É um processo de logística gigantesco. Na vacinação de influenza, para distribuir 80 milhões de vacinas, fizemos quatro entregas de 20 milhões por vez. É mais rápido”, compara a epidemiologista.

O Brasil recebeu pouco mais de 100 milhões de imunizantes até o momento, entre eles, CoronaVac, AstraZeneca e Pfizer, e, com as três farmacêuticas responsáveis por esses produdos houve entraves que atrasaram o processo de entrega.

Foto: Evandro leal/Estadão.

No caso da Pfizer, a demora na assinatura de contratos com o laboratório fez com que as vacinas só começassem a chegar ao país em 29 de abril.

Já com o Instituto Butantan e a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), problemas com a importação de matéria-prima junto à China atrasou a produção de CoronaVac e da vacina de AstraZeneca e fez com que os laboratórios parassem a fabricação dos fármacos mais de uma vez.

Mesmo com a chegada de insumos para os dois fabricantes brasileiros, a produção não atinge uma velocidade maior porque a quantidade de produtos ainda é baixa. “Os IFAs [insumo farmacêutico ativo] estão chegando em quantidade muito insuficiente. O Butantan recebeu agora 5 mil litros, isso dá 6 milhões de doses. O que significa 3 milhões de pessoas vacinadas. É pouco”, explica Carla.

A especialista acredita que a autossuficiência na produção de matéria-prima pode fazer os fabricantes nacionais produzirem o quantitativo necessário para acelerar a vacinação. “Os laboratórios têm capacidade de produzir até 1 milhão por dia, o que dá 5 milhões por semana e 20 milhões por mês. O dia em que tivermos a capacidade de produção nacional do IFA, poderemos melhorar”, conta.

“Se tudo der certo e não houver atrasos, em outubro o Brasil começa a ser autossuficiente em Bio-Manguinhos [Fiocruz]. No Butantan, ainda não temos esses dados”, acrescenta.

Quando o SUS vai cumprir a meta de 1 milhão por dia?

A expectativa é que no segundo semestre o país consiga resolver a falta de fármaco para completar a imunização dos brasileiros. “Nós temos 170 milhões de doses da Pfizer para entregar. Temos mais 50 milhões de Bio-Manguinhos [Fiocruz]. Então, temos, no cumprimento deste cronograma, vacina suficiente para toda a população acima de 18 anos ainda neste ano”, diz Kfouri.

Vale destacar que o governo federal ainda tem encomendado cerca de 50 milhões de doses do Butantan, 33 milhões do consórcio Covax Facility e 38 milhões da Johnson e Johnson.

Além disso, espera a análise da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) dos imunizantes Sputnik V – estados do Nordeste compraram 37 milhões de doses  e da Covaxin, da qual o ministério tem encomendado 20 milhões de doses.

Kfouri aponta que a imunização em duas doses colabora para que a agilidade da campanha não seja atingida. “Claro que, para você completar a proteção, leva mais tempo. Mas isso torna o processo mais lento. Acredito que vamos chegar a convocar todos os brasileiros para se vacinarem antes do final do ano. Infelizmente, não com a cobertura que gostaríamos.”, observa o médico.

Ele calcula que entre 70% e 75% dos brasileiros acima de 18 anos comparecerão para a primeira dose e em torno de 60% comparecerão para a segunda dose.

Nas campanhas de vacinação com mais de uma dose, a queda no número de vacinados no reforço é apontada como comum por especialistas.

Somente com o cumprimento do cronograma de entrega de todos as farmacêuticas contratadas será possível atingir a meta prometida por Queiroga. “Tendo regularidade que a gente consiga distribuir em torno de 60 milhões de dose por mês, conseguiremos vacinar mais de um milhão por dia. Fora isso, vamos ficar nessa média de 500, 700 mil pessoas por dia”, completa a epidemiologista.

Em resposta o Ministério da Saúde disse:

“O Ministério da Saúde não mede esforços para ampliar a vacinação em todo país. A pasta já enviou aos estados mais de 100 milhões de doses de vacinas covid-19 e mais de 68 milhões de doses já foram aplicadas. No mês de maio, o ministério bateu o recorde mensal no envio de imunizantes, com mais de 33 milhões de doses distribuídas. A pasta destaca, ainda, que já estão contratadas mais de 660 milhões de doses das vacinas covid-19 para serem entregues até o fim do ano. O quantitativo é suficiente para vacinar toda a população brasileira.” Fonte r7 noticias

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