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⟳ Atualizada em: 28/04/2022 07:54

inadimplência no pagamento de serviços básicos, como água e luz, bateu o recorde em março deste ano. Segundo a Serasa, o percentual foi de 23,2%, o maior índice para o mês dos últimos quatro anos. O número representa um aumento de quatro pontos percentuais em relação ao mesmo período de 2019.

São mais de 37 milhões de faturas atrasadas no segmento. A alta do valor da energia elétrica e dos alimentos tem pressionado a renda das famílias. Em janeiro deste ano, os calotes em serviços básicos bateram recorde geral  o percentual foi de 23,7%, o maior de toda a série histórica iniciada em janeiro de 2018.

A falta de pagamento de juros a bancos e cartões de crédito lidera o ranking das dívidas em março, com 28,17%, mas o segmento não teve um aumento acentuado como o das contas básicas. Em relação a março de 2019, cresceu um ponto percentual.

A inadimplência como um todo no Brasil está no terceiro mês de alta seguida, próxima à registrada no pico da pandemia de Covid-19, que foi em abril de 2020. Em março deste ano , 65,6 milhões de pessoas não conseguiram pagar as contas em dia.

Para o gerente da Serasa Thiago Ramos, a alta das dívidas é um reflexo do momento atual. “O cenário econômico tem alguns indicadores que apontam para uma perspectiva de alta dessa tendência de inadimplência, e as contas básicas não são diferentes”, afirma.

Entre os fatores que contribuem para o aumento do calote, de acordo com Ramos, destacam-se a redução da renda média dos brasileiros, que está no menor patamar dos últimos 12 anos; o aumento do número de trabalhadores informais, que atualmente supera 38 milhões; e o desemprego, que por mais que tenha apresentado uma leve queda percentual, ainda não quebrou a barreira de 12 milhões de desempregados.

“Uma pesquisa que a Serasa fez no mês de março também mostrou que os brasileiros tiveram que priorizar algumas contas para fazer o pagamento. Por mais que as contas básicas estivessem entre essas prioridades, esses fatores certamente contribuíram para o crescimento da inadimplência delas”, avalia Ramos.

Desde o último dia 16 de abril, acabou a cobrança na conta de luz da bandeira de escassez hídrica, que resultava em uma taxa extra de R$ 14,20 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos. A medida, que encarecia os custos da energia elétrica, estava em vigor desde setembro de 2021, por causa da crise hídrica. A redução estimada pelo governo nas contas de luz para o consumidor é de cerca de 20%.

“A energia é um custo muito importante tanto para insumos de serviço como para o consumidor de uma modo geral. A expectativa é que caia bem o preço a partir deste mês. Várias térmicas foram desligadas, o que é um bom sinal de que o custo de geração de energia está melhorando”, afirma o economista Matheus Peçanha, pesquisador do FGV/Ibre.

Mas o impacto da inflação pressiona o orçamento familiar. A prévia da inflação oficial de preços subiu 1,73% em abril, a maior variação para o mês desde 1995, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A maior disparada mensal do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15) desde fevereiro de 2003 (+2,19%) faz o indicador acumular avanço de 4,31%, neste ano, e de 12,03%, nos últimos 12 meses.

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