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Especial fotográfico: A vida em rosa

Atualizada em: 01/11/2017 09:32

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Fotos, edição e texto: Pedro Monteiro

Produção: Caira Lima

Publicado em: 31 de outubro de 2017 às 16:37

Para fechar a celebração do Outubro Rosa, o Orla Notícias preparou um especial produzido por mim, Pedro Monteiro. São duas histórias de vida inspiradoras, para mostrar que a luta não deve ser travada durante apenas no mês de outubro.

Foto: Pedro Monteiro

“Marcamos um ensaio fotográfico com duas mulheres que venceram o câncer de mama e tiraram disso um aprendizado para a vida – Rosa Teodoro, 52, e Luciana Batista, 40. No caminho para o local das fotos, elas sorriam, enquanto confessavam seus relatos uma para a outra, como confidentes de longa data. Pela maneira com que contavam, parecia que a sombra de toda aquela jornada não era mais tão assustadora. Eu observava, quieto, enquanto dirigia.

Luciana, 40, e Rosa, 52. Foto: Pedro Monteiro

A conversa rendeu muito, de dentro do carro até depois da sessão de fotos, e a cada sorriso que elas davam eu ia ficando cada vez mais encantado com a força daquelas mulheres. Luciana contou que passou dois anos tentando engravidar, ignorando os avisos de sua médica, que dizia que já praticamente impossível ter um filho depois dos 35 anos, então recorreu à inseminação artificial, e em janeiro de 2014, foi a uma clínica de fertilização dar início aos exames. No mês seguinte, Luciana rompeu os ligamentos do pé jogando vôlei, e ficou cerca de dois meses em uma cadeira de rodas, o que a fez relaxar da cobrança incessante de ter um filho.

“Então ela engravidou”

Pedi a ela que revivesse todos os sentimentos, os bons e os ruins. Foto: Pedro Monteiro

Mas no mês seguinte foi descoberto um tumor no seio que já estava com 2,7cm, mas ela ainda não fazia ideia do que estava por vir. Ela foi encaminhada a um mastologista, e na vigésima semana de gestação, um câncer do tipo triplo negativo, considerado preocupante, foi diagnosticado.

A primeira recomendação médica foi que Luciana abortasse, mas ela se recusou. “Não me sentia nem no direito de tirar esse bebê”. Em Brasília, onde preferiu seguir com o tratamento, as notícias eram mais animadoras: o médico disse a ela para ter fé, porém não ia ser possível prosseguir com mais exames para acompanhar o grau da doença, a fim não prejudicar sua gravidez. Então ela deu início às sessões de quimioterapia.

O sorriso de quem lutou pelo queria e hoje se sente realizada. Foto: Pedro Monteiro

Com relação ao cabelo: “chorei muito. Eu amava o meu cabelo, mas se fosse pra encarar o que estava por vir eu ia encarar de frente. Minha filha dependia da minha força”.Luciana conta que em momento algum durante o tratamento teve medo de morrer, e ao final da quimioterapia, tomou a decisão de não adiantar o parto para deixar a criança em uma incubadora. No fim de dezembro de 2014 nasceu Manuela Vitória.

O nascimento de Manuela Vitória. Imagem: acervo pessoal

A mastectomia foi realizada com sucesso um dia depois do seu aniversário, e em julho de 2015 o tratamento chegava ao fim.“Se eu tivesse desistido da minha filha como fui orientada a fazer, talvez, hoje, eu não estivesse me sentindo tão completa”.

O marido de Luciana também raspou a cabeça em solidariedade a ela. Imagem: acervo pessoal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

“Acredito que o câncer é proveniente de estado emocional”

Rosa sorria enquanto contava sua história – para ela, foi tudo um aprendizado. Foto: Pedro Monteiro

Foi com essa frase que Rosa, uma mulher que emana força, começou nossa conversa. Ela sofria de síndrome do pânico, e acredita que o negativismo que sentia por conta de seus transtornos trouxe a doença. Desde junho de 2014 ela tinha um pressentimento de que estava com câncer, então fez a mamografia, e no dia do aniversário do seu filho, recebeu o diagnóstico.

“Por algum motivo fiquei mais tranquila

“Aprendi a me levantar”. Foto: Pedro Monteiro

“Era um dia chuvoso, e eu gosto de celebrar, nem que seja com uma comida especial. Decidimos pedir uma pizza, mas nenhuma pizzaria atendia. Saí de carro para comprar uma, então, me sentindo muito tranquila. Eu não estava muito bem da cabeça, então não tinha como ficar pior”, contou, rindo.

“Não tenho muita desenvoltura para fotos”, brinca. Foto: Pedro Monteiro

Diferente de Luciana, ela levou a queda de cabelo causada pela quimioterapia de uma maneira mais tranquila. “Eu me achava linda careca”. Rosa cortou os cabelos em casa. “Cada um cortou um pedaço: minha empregada, meu filho e meu marido. Assim que terminou, passei uma maquiagem e fui dar uma volta.

“Eu estava linda”. Imagem: acervo pessoal

Durante o tratamento, ela tentou levar a vida da melhor maneira possível. No seu aniversário de 50 anos, ela saiu para pular carnaval, “a noite inteira, eu estava maravilhosa”.

Rosa é despojada, elegante, e sua autoestima foi um dos fatores fundamentais pra vencer a luta contra o câncer de mama. Foto: Pedro Monteiro

“Eu não tinha medo da morte, não era minha hora”

Rosa finalizou a conversa cantando uma música que a fez ter força para entrar na sala de cirurgia, que ainda reverbera nos meus ouvidos. “Depois de tantas cacetadas que tomei aprendi a me levantar”. Eu não conseguia acreditar que coisas assim aconteciam todos os dias com tantas outras mulheres, e que nem todas elas tem a força que essas duas tiveram para encarar uma jornada tão difícil assim, com a cabeça erguida, sorriso no rosto, e vontade de viver.

Foto: Pedro Monteiro

Suas vidas tomaram rumos muito diferentes do que teriam tomado se o câncer não tivesse chegado, mas foram rumos que elas não deixaram que força exterior alguma traçasse por elas. Rosa e Luciana são donas de suas histórias, e desde o dia de nossa conversa, tenho pensado a respeito de como a vida prega peças para que possamos ter uma gana a mais e lutar por ela. Observei uma ligação muito especial entre as duas, algo quase matriarcal, e quando perguntei desde quando elas se conheciam, responderam: “Acabamos de nos conhecer!”.

 

“Acabamos de nos conhecer”. Foto: Pedro Monteiro

 

 

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