0
Compartilhamentos
Pinterest Google+

⟳ Atualizada em: 23/01/2020 15:33

Por Marcos Milhomens
Comentarista político
Marcos Milhomens, comentarista político. Foto: Arquivo Pessoal.

Que as eleições deste ano já começaram, não há dúvidas. Os bastidores da política tocantinense já murmuram “este ou aquele” nome. As articulações não param. Palácio Araguaia, Paço Municipal, Os Abreus, grupo Amastha, enfim, todos traçam suas estratégias no tabuleiro do xadrez da política. Eu particularmente aprecio sem moderação.

Nunca é demais lembrar que o eleitor precisa estar na “jogada”,  do contrário, não há articulação de bastidor que resolva. Temos um perfil completamente novo de eleitor, que não defende bandeira partidária, que não tem uma corrente ideológica definida e anda órfão de referências contemporâneas. Então, esse novo eleitor não vota no partido. Aliás, ele está decepcionadíssimo com bandeiras partidárias e ele não é militante. O fato é que ele se identifica com o candidato que representa aquilo que ele pensa, sua visão de mundo, sua identidade cultural, aceitação pelo grupo, enfim, em um contexto totalmente particular de percepção política. É, talvez, o grande desafio dos postulantes à Prefeitura este ano. Criar esta identificação. Falar a mesma língua.

Palmas, a última capital planejada do século XX, carrega consigo e está forjada na história de luta dos pioneiros que vieram de todas as bandas deste país continental construir esta cidade. Então, a responsabilidade de qualquer gestor, de qualquer homem público, é uma tarefa hercúlea. Justamente por isto, não há espaço para amadores, para estagiários (Com todo meu mais absoluto respeito aos estagiários) Mas não podemos mais perder tempo.

Nessa perspectiva, a realidade que vivemos hoje no Brasil é terrível. A maior crise da nossa história recente. Quase 14 milhões de desempregados. 38 milhões na informalidade. 65 milhões com nome sujo no SPC/SERASA. Mais de 11 mil indústrias faliram nos ultimos 3 anos no Brasil. O maior percentual de endividamento e inadimplência dos nossos empresários, segundo o levantamento do Mapa das Empresas Brasileiras, divulgado pela BigData Corp, 65,34% das companhias brasileiras (14,083 milhões) estão cadastradas no Simples Nacional, o que significa que o número total de empresas ativas é de 21,553 milhões. Outra pesquisa, feita pela Serasa Experian em março de 2019, mostrou que aproximadamente 5,4 milhões de empresas brasileiras estavam inadimplentes, número 9,3% maior que em março de 2018, quando havia aproximadamente 5 milhões de empresas com dívidas.

O montante das dívidas é de R$ 124,1 bilhões, o que corresponde a quase R$ 23 mil reais por empresa, em média. Ao confrontar os dados de ambas pesquisas, é possível identificar que das 21,553 milhões de empresas no Brasil, 5,4 milhões estão endividadas, ou seja, 25% do total, número que chama muito a atenção.

 Outro número que é estarrecedor, 65 mil homicídios por ano (nenhum conflito no planeta terra mata esse tanto de gente).

Mais de 100 milhões de nacionais sobrevivem ou tentam sobreviver com pouco mais de R$ 430 por mês.

Você, caro leitor, já se imaginou sobrevivendo com pouco mais de R$ 400 por mês?

É uma tragédia sem precedentes. E não há outro responsável e antagonicamente também não há outra solução que não seja pela política. Nada pode substituí-la. O Laissez-faire, jamais na história do mundo, resolveu sozinho os graves problemas políticos e econômicos de qualquer país, de qualquer época. Se faz urgente e precisamos dramaticamente restaurar a autoridade política no Brasil, do contrário, este país e a democracia não aguentam.

E o que Palmas tem a ver com isto? Deve estar se perguntando o mais àvido dos leitores.

Vos respondo: Tudo! Tem tudo a ver com isto.

Os desafios e gargalos são, proporcionalmente, similares.

Palmas hoje sofre com grave desemprego, com informalidade crescende, déficit habitacional, regularização fundiária, intermináveis filas de espera em creches e apontaria o mais grave dentre todos, a extrema pobreza. Tem muita gente passando fome em Palmas. Segundo o IBGE, 102 mil pessoas vivem abaixo da linha de extrema pobreza no Tocantins, maior índice desde 2012.

Em Palmas, saiu de 0,532 para 0,562. Isso significa que quanto mais perto de zero, maior é a desigualdade de renda da população, ou seja, quanto menor o indicador, menor é a desigualdade social e mais próxima é a renda dos mais pobres em relação aos mais ricos. Entre as capitais, Palmas não apresenta resultado positivo, pois ao contrário do Estado, é a segunda com maior índice de desigualdade social. Já no ranking nacional, Tocantins ocupa a 12º colocação em relação a melhor distribuição de renda e Palmas a 19º posição.

Como disse, o próximo Prefeito desta capital maravilhosa terá uma desafio gigantesco pela frente.

E o setor privado, que “mata um leão por dia” pagando a maior carga tributária do planeta, mas que mesmo assim acredita, investe na cidade, gera emprego, renda, precisa imprescindivelmente fazer parte deste desafio. Penso que seja a sinergia perfeita: o político preparado, o empresário de sucesso e um projeto municipal de desenvolvimento.

Tenho convicção que Palmas pode muito mais.

Post Anterior

Suspeito de estuprar adolescente de 15 anos é preso, em Paranã

Próximo Post

Energisa oferece vaga de emprego para PCD em Palmas