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⟳ Atualizada em: 09/06/2021 16:18

O presidente da República, Jair Bolsonaro, voltou a dizer que há supernotificação de mortes e casos por covid-19 no Brasil. Deu a declaração a apoiadores nesta quarta-feira, 9, 2 dias depois de o TCU (Tribunal de Contas da União) negar a autoria de um relatório com dados não comprovados sobre as mortes por covid-19 utilizado pelo chefe do Executivo para defender a tese.

“No meu entendimento, sim, tivemos supernotificações no Brasil. Alguns governadores praticaram isso aí. Em consequência, tem gente querendo desqualificar o que estou falando para não incriminar governadores”, disse Bolsonaro na manhã desta 4ª feira.

Desta vez, o presidente disse que “segundo os estudos ali, estudos estatísticos não conclusivos, a supernotificação pode chegar a 45% ”. Na segunda feira ( 7 ), Bolsonaro afirmou que “em torno de 50% dos óbitos de 2020 por covid não foram por covid, segundo o Tribunal de Contas da União”.

O documento, entretanto, foi feito em caráter pessoal e não foi chancelado pelo TCU. Foi produzido pelo auditor Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques. O funcionário será afastado de suas funções.

O afastamento do cargo efetivo de auditor deve ser realizado ainda nesta quarta feira (9.jun). Marques já foi retirado da equipe de fiscalização da covid-19 do tribunal.

Bolsonaro disse ainda que medidas restritivas adotadas por governadores e prefeitos foram justificadas pela suposta supernotificação de casos e mortes.

“Com supernotificações, alguns governadores tinham que justificar isso aí. Justificam como? Com lockdown, toque de recolher, fechamento de comércio, arrebentando com a população do Brasil, levando à morte por outros meios, depressão, suicídio, desespero”, disse o presidente.

ENTENDA O CASO

O presidente Bolsonaro divulgou dados não comprovados do suposto relatório na segunda feira ( 7 ). “O relatório final não é conclusivo, mas em torno de 50% dos óbitos de 2020 por covid não foram por covid, segundo o Tribunal de Contas da União”, disse o presidente em conversa com visitantes do Palácio.

O TCU emitiu nota no mesmo dia dizendo que nenhum relatório do tribunal falava que o número de mortes pela covid era menor que o registrado. Apenas na terça feira ( 9 ), mais de 24 horas depois da menção do presidente Bolsonaro, o TCU descobriu que o autor do relatório era um servidor do tribunal. De acordo com o TCU, o documento jamais foi incluído no sistema do tribunal e foi produzido em caráter pessoal pelo funcionário, que também foi o responsável pela divulgação.

Nesta quarta feira, Bolsonaro disse a uma apoiadora: “Não sei [por que removeram a tabela]. Saiu do ar. Saiu do ar. Mas eu vou divulgar o que eu tenho aqui”.

Segundo a investigação da corregedoria, o documento com dados não comprovados não foi inserido no sistema processual do tribunal. O relatório foi compartilhado por Marques na plataforma de trabalho online dos auditores para avaliação de seus colegas. O relatório teria sido rejeitado.

As investigações ainda estão sendo realizadas,  TCU afirma que o relatório não teve chancela oficial. O ministro Bruno Dantas afirmou que os fatos apurados são graves e precisam ser mais investigados.

“É cedo para extrair conclusões, mas se ficar comprovado que o auditor utilizou o cargo para induzir uma linha de fiscalização orientada por convicções políticas, isso será punido exemplarmente”, disse o ministro em nota.

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