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⟳ Atualizada em: 07/05/2021 19:44

Você pode até não gostar de funk, mas certamente já ouviu alguma música produzida por Dennis DJ em alguma festa ou balada. Muitos dos funks mais conhecidos no país passaram pelas mãos dele, como “Malandramente” (2016), “Cerol na Mão”(2001), “Um Tapinha não Dói” (2001) e “Vai Lacraia” (2001).

Com 25 anos de carreira, o produtor musical Dennison de Lima Gomes, 40, conhecido hoje como Dennis DJ, ajudou a construir a história do funk carioca e hoje faz sucesso em turnês pelo país com o Baile do Dennis, uma das maiores festas funk do mundo.

Foto: Divulgação.

Como resultado dessa trajetória, ele será o primeiro artista brasileiro a ter um documentário sobre a sua história na Amazon Music. A estreia acontece nesta quarta-feira (6) na plataforma de streaming e no YouTube. À reportagem, Dennis disse que está “mega feliz” por participar desse minidoc sobre o funk.

“Mesmo que não fosse eu, só de ser o funk, de estar ali, eu ficaria feliz também, porque a gente que está desde cedo nesse movimento sabe quantas batalhas teve que lutar para ter o respeito, chegar aqui onde chegou hoje. Ter o reconhecimento é maravilhoso”, diz o produtor musical orgulhoso.

Dennis começou na década de 1990 nos bailes funk cariocas, mas não tocando. Trabalhava como “barman raiz” vendendo caipifrutas (drink com frutas derivado da caipirinha) em uma barraca. Era a época da explosão do funk, com bailes que reuniam 10 mil pessoas de quarta a domingo. Ele vendia sozinho 500 copos de caipifruta em uma noite.

“Eu começava a observar bastante os DJs, tinha 15 anos e nem podia trabalhar. Mas estava ali porque eu tinha o grande sonho, desde os 12, de cantar, tocar, compor, produzir. Era uma forma de fazer uma grana para ajudar em casa e também buscar meu sonho, foi o que me ajudou a comprar os primeiros equipamentos”, lembra.

Em 1996, ele trocou a profissão de barman pelo trabalho de DJ na equipe da Furacão 2000, empresa do mercado funk carioca. “Agora eu era o DJ naqueles bailes que antes ficava só vendo. Fiquei até 2003”. Neste período, produziu CDs da série “Furacão 2000 – Tornado Muito Nervoso” e esteve por trás de grandes sucessos do funk, ajudando a difundir o ritmo pelo país.

Após deixar a Furacão 2000, Dennis passou a cuidar da própria equipe. Fundou gravadora, estúdio, programa de rádio, além de promover bailes funk. Em 2005, lançou com o selo EMI Music a coletânea “Dennis DJ Apresenta Funkadão” (2005), depois, vieram vários CDs e parcerias, como o lançado em 2005 com o DJ Marlboro, considerado um dos criadores do funk carioca.

Em 2012, Dennis decidiu que queria tocar seu funk para “a galera da zona sul” do Rio de Janeiro e foi atrás das principais empresas de formaturas para oferecer bailes funk. Até então, ele tocava em comunidades, para o público C e D e nas casas de show da Baixada Fluminense.

“Eu fiquei de dois a três anos fazendo bastante formatura e fui construindo o meu público, que é a galera que está comigo até hoje. Nesses últimos sete anos, eles vêm me acompanhando, só que acabou expandindo o ‘Baile do Dennis’ para outros estados, para o Brasil inteiro, graças a Deus”, diz.

O BAILE DO DENNIS

Nesta época, o DJ tentou tocar no Baile da Favorita, que estava estourado, mas ouviu que a equipe já tinha DJ e, por isso, não tinham como contratá-lo. Com a recusa, decidiu criar o próprio baile e, em 2013, alugou o Clube Monte Líbano, em Ipanema, zona sul, para o primeiro evento. Nascia o Baile do Dennis.

“Eu criei ali o meu mini Tomorrowland [comparativo com o maior festival de música eletrônica] que ninguém fazia no funk. Trouxe a vibe dos efeitos especiais, até nas músicas, botando instrumentos, música eletrônica misturada com o funk. Foi um jeito de fazer o meu nome girar”, explica.

O investimento de Dennis em efeitos especiais gerou comparações com Alok, 29, conhecido mundialmente na cena eletrônica. Para Dennis, a comparação se deve ao fato dos dois terem ajudado a colocar os DJs em uma posição de respeito no mercado, independentemente do ritmo.

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