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⟳ Atualizada em: 08/01/2019 10:56

Sou uma dessas pessoas consideradas tão imaginárias por possuir a capacidade de tirar lições de vida nas coisas mais simples, até em coisas comprovadamente banais como o cozimento de um macarrão.

Era noite quando eu resolvi cozinhar o meu prato preferido, olhei na despensa e havia a sobra de dois macarrões diferentes, sendo um espaguete e o outro parafuso. Coloquei a água para ferver e quando as bolhas já estavam agitadas, adicionei o restante dos dois pacotes para cozimento. Alguns minutos se passaram, e eu atentamente esperava a hora exata de tirar o macarrão, até que, um dos macarrões chegou ao ponto, enquanto o outro ainda necessitava de mais tempo. Acabei o deixando por mais alguns instantes na tentativa de achar o meio termo entres seus pontos distintos. Como eu já esperava, mais uma incrível macarronada para eu adicionar às minhas conquistas culinárias.

Enquanto fazia minha refeição, concluí que pessoas são como macarrões, uma vez que, cada uma possui o seu tempo específico. É inútil colocarmos todas em uma “panela de água fervente” e esperar que todas cheguem ao ponto certo em tempos iguais. Me enganei em achar que por se tratar de macarrão, não haveria nenhuma diferença entre eles. 

Sabe aqueles momentos em que nos deparamos com jovens de 23 anos que já possuem apartamento próprio, ou aqueles que aos 30 já visitaram vários países, enquanto nós, no auge dos 29 anos ainda nem saímos do aluguel, ou aqueles que ainda nem entraram e continuam na casa da mãe. Mais uma vez repito, é inútil basearmos nossa vida nas conquistas alheias, embora às vezes a vida pareça tão injusta. Cada um é dono do seu tempo, não temos que nos encher de preocupação com o tempo alheio.

Além de termos formas e tempos desiguais, também aprendi com os macarrões sobre reações diferentes à “panela de água fervente”. Enquanto uns saem completamente ilesos da transformação de seu estado, outros se desmancham durante o processo e são descartados. Macarrões já são incríveis sozinhos, mas unidos à molho, formam a parceria perfeita, como se molho sem macarrão não fizesse sentido, o que me lembra que, sem algumas pessoas, seríamos como um macarrão pálido e frio, elas nos dão cor e sabor.

Após concluir o quanto macarrões têm a nos ensinar, respeitem o tempo dos “espaguetes”, dos “fusillis”, dos “pennes” e dos mais variados tipos que encontramos nas prateleiras do mercado ou pela vida. E, mais importante, que compreendamos o nosso tempo e não sejamos um daqueles macarrões que grudam no fundo da panela, passados do ponto e solitários que nunca saberão o que é ir ao primeiro/último encontro com o molho da sua vida.

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