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⟳ Atualizada em: 07/09/2018 14:26

Parece que foi ontem, olhei para o meu lado direito e avistei ele ali, todo concentrado em seus pensamentos aguardando o sinal do semáforo lhe dar permissão para ir adiante. Ele reparou que alguém o observava e olhou de volta, e naquele momento nossas intenções se encontraram.

Assim que o sinal abriu, fomos pela a mesma rua e estacionamos os veículos em um lugar livre do trânsito que ficou para trás. Trocamos telefones sem nem tentar entender o que estava realmente acontecendo, apenas agindo sem buscar sentido pra nada. Eu tomei a iniciativa de ser a primeira a contatar e assim iniciou uma conversa que durou não mais do que um ou dois dias, até finalmente o reencontro, mas dessa vez, com a sensação de que algo grande estava para acontecer, e não estávamos errados.

O primeiro ano foi o clássico mar de rosas, incluindo pedido de namoro, almoço no domingo para conhecer as famílias um do outro, finais de semana de apresentação do novo amor aos amigos e claro, as primeiras brigas, que foram inesquecíveis quando me lembro dos motivos tão medíocres.

Os anos seguintes foram de novos mares, eu não diria de rosas, mas de estabilidade, parceria e cumplicidade. Fizemos a nossa primeira viagem juntos e prometemos repetir em todas as oportunidades possíveis, porque aquele sentimento de que existia apenas eu, ele e o mundo, era o que queríamos sentir todos os dias, foi o nosso acordo.

As crises chegaram e lá estávamos apostos e determinados a enfrentar em nome de um bem comum: nós. Houve a necessidade de nos afastarmos e dar um tempo para ter certeza do que sempre tivemos certeza, e no final tudo sempre voltava com mais força do que antes. 

Descobrimos nossas diferenças e começamos a amar aqueles defeitos mais toscos e intragáveis um do outro. Para falar das qualidades, “enchíamos a boca” com todo orgulho para falar um do outro para o mundo, sempre com muito respeito e admiração. 

Era mágico como driblávamos as descrenças sobre relacionamentos duradouros, e tudo entrava em órbita quando enxergávamos toda a verdade no fundo daqueles olhos cheios de afeto e de amor, quando trocávamos olhares. Minha família agora é sua, seus amigos agora são meus, e assim demos significado real à palavra sintonia.

Sinto que nunca houve na história algo tão incrível e surreal como nós. Então no momento em que eu fazia mais planos para nossa vida, o sinal verde abriu e levou o amor da minha vida. Foram segundos de devaneios e anos de relacionamento, e mesmo tendo o observado daqui por menos de um minuto até o semáforo abrir, quero agradecer àquele moço de camisa azul que eu nem sei o nome, mas que foi tudo pra mim por alguns segundos.

Este texto foi um dos vencedores do Concurso Nacional Novos Poetas – Prêmio Sarau Brasil 2018. 

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