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⟳ Atualizada em: 27/03/2020 16:48

O Hetohoky (lê-se Retorrokã, que significa Casa Grande), é, basicamente, um rito de passagem, uma grande festa de batizado, que envolve garotos em torno de 12 anos e as famílias. É uma das festividades mais importantes dentre as realizadas pelos povos Karajá e Javaé. Neste ano, porém, a cerimônia realizada no último final de semana, dias 21 e 22 de março, na Aldeia Fontoura, não contou com a presença de convidados em função da propagação do novo Coronavírus.

A decisão de restringir a festa à comunidade Karajá envolveu lideranças indígenas, Fundação Nacional do Índio (Funai) e Secretaria Especial de Saúde Indígena (SesaiI). No mesmo período foi publicada a Portaria nº 419, de 17 de março de 2020, suspendendo por 30 dias a entrada em terras indígenas devido à pandemia, como forma de evitar a disseminação do vírus nas aldeias do País, uma vez que essas populações se encontram no grupo de risco de contaminação.

Os Karajá nunca interrompem a festa quando ela já está em seu rito final. Toda condução é responsabilidade do Cacique Cultural, Isaque Waxiô  Karajá, enquanto o Cacique Administrativo, Clebe Ixydeo Karajá atua na na coordenação e articulação com órgãos e entidades parceiras.

São vários meses de trabalho até a chegada dos convidados – neste ano, a Fontoura recebeu grupos das aldeias Santa Isabel, JK, Watau, Werebia, Werreria, Tytemy, Krehawa, Macaúba, Kaxiwe, Ibutuna, Hawalora e Itxalá.

É preciso alimentar a todos e ainda construir as duas casas centrais da festa, uma menor, representando o Norte, para abrigar os Aruanãs (espíritos protetores), e a do Sul, para receber os cinco garotos (Jyré ou Diré), que passaram duas semanas ouvindo ensinamentos sobre caça, pesca, regras de convivência social e outras orientações de um preceptor.  

Povo Karajá. Foto: Cecita Silva e Tom Tramis/Divulgação

Povo Iny

Os Karajá fazem parte do povo Iny (lê-se Inã, que significa “nós”), que inclui também os Karajá-Xambioá e os Javaé. Essencialmente coletores e pescadores, após longo período de migração e guerras com outras etnias, principalmente com os Xavante, eles se fixaram na Ilha do Bananal. 

Neste período do ano, em que boa parte da Ilha está submersa, o acesso ao lado ocupado pelos Karajá se dá pelo Mato Grosso, de onde se pegam voadeiras (pequenas embarcações movidas a motor), nas cidades de São Félix do Araguaia e Luciara. Mas para entrar nas aldeias é necessária autorização prévia da Funai e das lideranças de cada aldeia. 

A confecção de objetos de cerâmica, a pintura corporal e as bonecas Ritxokò (tombadas como patrimônio cultural brasileiro) são tradicionais da cultura Karajá. Outros destaques são as festas e rituais, em especial o Hetohoky , o Aruanã, a Festa do Mel, a Homenagem aos Mortos – Itxeo, a Festa da Alegria – Maarasi. 

“Neste ano, não foi possível participar do ritual, mas o essencial é a preservação da saúde dos nossos indígenas, para que eles possam receber visitantes em um futuro próximo”, revelou o secretário de Indústria, Comércio e Serviços e presidente da Agência do Desenvolvimento do Turismo, Cultura e Economia Criativa, Tom Lyra.

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