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Corpos (in)definidos – por Savick Brenna

Atualizada em: 03/07/2018 12:26

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Hoje é um daqueles dias em que minha sensibilidade está no seu nível máximo, o que representa um estado de alerta para todos ao meu redor. Não há exceção para a atendente do banco ou o vizinho que eu troquei duas palavras em quase três anos, o risco é real.

Acho que hoje eu sou balão e a qualquer momento posso estourar, seja por um alfinete afiado ou até um cisco que, por conta de um vento que resolveu mudar a direção repentinamente, me atingiria com mais força. A parte engraçada e/ou trágica é que sou aquele balão modelo smile amarelo, com a expressão infinita de “tudo bem”.

A necessidade neste instante é de se prender em um espaço fechado e seguro, onde eu pudesse estourar e ninguém se assustasse com o barulho do estouro, então depois eu voltaria à minha forma normal e agiria como se nada tivesse acontecido. Se eu fosse uma super-heroína, este seria o meu poder. 

Mas sabe, talvez hoje eu seja cacto ao invés de balão, mas ninguém desconfia dessa quantidade de pontas prontas para machucar quem está distraído demais admirando minha tão saudável cor verde. Nem sei definir minha forma, apenas defino o vazio por dentro e os espinhos do lado de fora, acho que é isso, uma fusão de vários corpos estranhos. 

Que amanhã eu volte à minha forma habitual, sem representar o perigo de machucar ou estourar, mas enquanto o hoje ainda segue em andamento, só peço que mantenha distância, por amor a mim e muito mais amor a você. Mas se mesmo assim preferir não se afastar, você que é balão, aproxime-se e juntos seremos decoração, ou você cacto, seremos um lindo exército de espinhos disfarçados de beleza.

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