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⟳ Atualizada em: 26/03/2020 19:42

Por Marcos Milhomens
Publicitário e analista político

Foto: Arquivo Pessoal

Vinte e oito de fevereiro de dois mil e vinte, 28/02/2020, Itália, Europa. Manchete do site El País:

“Itália muda estratégia contra o coronavírus para combater o alarmismo e proteger a economia”
Segue:

Desde que foi registrado o primeiro contágio pelo coronavírus em território italiano, há uma semana, os acontecimentos se sucedem a ritmo vertiginoso no país. As cifras oficiais no final da noite de quinta-feira, 27 de fevereiro, apontavam 650 contágios, 17 mortes e 45 pacientes curados. O alarme social também se disparou neste tempo em algumas áreas, dentro e fora do país, e os primeiros efeitos do medo não tardaram a surgir. Agora, o Governo se empenha em neutralizar o impacto econômico da pandemia.

A partir desta data, foram “flexibilizadas” as recomendações da Organização Mundial da Saúde – OMS, hoje, menos de 30 dias depois, o número é estarrecedor: Mais de 62 mil casos confirmados e 8.165 mortes pela COVID 19 e a tendência é aumentar muito mais. Essa é a experiência que a Itália nos mostra.
O impacto econômico é evidente e não é novidade para ninguém. É um impacto mundial. Todos os países estão sofrendo drasticamente. A Índia é responsável pela maior quarentena do planeta, mais de 1 bilhão de pessoas. Já parou para pensar no impacto econômico deles?

Mas Nova Iorque, Paris, Madri, Roma, Tóquio, Buenos Aires, Bogotá, todo continente africano, enfim, todo o planeta está seguindo as orientações da OMS.
Cancelaram o maior evento esportivo do mundo, as olimpíadas. Será que é alarmismo. Histeria?

É uma pandemia. É um vírus altamente contagioso e, por enquanto, não há cura.
Não é só um “resfriadinho” tampouco “gripezinha” Os indicadores mostram que a esmagadora maioria dos casos de óbito são pessoas com mais de 60 anos, mas o número está aumentando na população com menos de 50. Estes mesmos indicadores dobram em pessoas que estão hospitalizadas.
Este é o problema. O colapso total do sistema de saúde (público e privado)

É uníssono entre os profissionais e especialistas em saúde do mundo todo: Vai colapsar se não seguirmos rigorosamente as recomendações da OMS.
Compreendo com o meu coração a angústia dos nossos empresários, a maioria pequeno e médio empreendedor.

Quase todos endividados. Por que no Brasil temos a maior carga tributária do planeta. Os números não mentem, 3 em cada 4 empresários no Brasil fecha as portas antes dos 2 anos de atividade. É o maior número de mortalidade de empresas de todos os países do mundo. E a COVID 19 vai aumentar dramaticamente estes indicadores. É uma tragédia que já está posta. A questão agora é atenuar os danos.

Nesta frente, o exemplo que os EUA estão fazendo serve para o mundo inteiro. Lá eles aprovaram às pressas o maior pacote de resgate econômico da história. 2 trilhões de dólares. Mas não são os únicos. Mais uma vez, vamos aos números: Apoio aos trabalhadores no mundo:

Dinamarca: 80% da média do salário

Bélgica: Até €1,582 por mês

França: €1,500 para quem perder 70% da renda

Irlanda: €203 por semana por seis semanas

Itália: €600 por mês

Na Alemanha, eles aprovaram o maior pacote econômico desde a Segunda Guerra mundial. 156 bilhões de Euros.

No Brasil, precisamos, dentro das nossas limitações obviamente, seguir o mesmíssimo modelo.
O governo federal precisa liderar esta frente urgentemente .
Criar imediatamente um programa de renda mínima, de acesso gradualmente veloz a todos os trabalhadores informais, autônomos e desempregados. O Valor de R$ 500 por pessoa é factível , adstrito a dois beneficiários por família.

De onde vem o dinheiro?

É consenso entre todos os economistas, mesmo os mais conservadores, que nós não temos alternativa de não fazer uma pesada política fiscal anticíclica. O mundo toda está fazendo! No Brasil há dois ativos grandes e uma (ainda pequena) margem para expansão da dívida pública. Aí estão as fontes: Reservas cambiais e tesouro nacional.
Para os empresários: Ajuda sem burocracia a pequenas e médias empresas.
Benjamin Steinbruch, Fundador do Grupo Vicunha maior grupo têxtil da América Latina, Banco Fibra e Equity Brasil Capital, ocupou também a posição de gestor executivo no Banco Safra, mostrou uma alternativa objetiva:

Pediu ao presidente da Caixa Econômica Federal que haja liberação de capital de emergência. O BNDS também é uma alternativa plausível .

Não vamos abandonar o nosso povo a própria sorte, tampouco ignorar criminosamente as recomendações da OMS sob a argumentação de que a maioria não está no “grupo de risco”
Não iremos reerguer nossa economia pisando em cadáveres.
O dramaturgo alemão, Bertolt Brecht, nunca foi tão atual:

“Que tempos são estes, em que temos que defender o óbvio?”

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