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⟳ Atualizada em: 24/04/2022 12:27

Em uma competição de robótica, vence o melhor robô, correto? Sim e não. Nas competições da FIRST, além da construção e do desempenho do robô, são avaliadas diferentes frentes de trabalho da equipe, como projetos sociais e de inovação, planos de negócio, caderno de engenharia, design, valores e atitudes como bondade e cooperação, e iniciativas para levar ciência e tecnologia à comunidade. 

Após quatro dias de robôs competindo em quadra e de avaliações das cerca de 770 equipes e seus projetos, chegou ao fim, neste sábado (23), o FIRST Championship, torneio mundial que ocorre nos Estados Unidos anualmente com estudantes do ensino fundamental e médio dos cinco continentes. 

O Brasil, representado por quatro times – dois na modalidade FIRST LEGO League Challenge (FLL), um na FIRST Tech Challenge (FTC) e um na FIRST Robotics Competition (FRC) -, mais uma vez serviu de inspiração para competidores de outros países e marcou presença entre os melhores do mundo, levando prêmios importantes na FLL.

Engenharia criativa fez diferença nas partidas  

As duas equipes brasileiras que competiram na FLL, a Atombot, do SESI de São João del Rei (MG), e a SESI CLP, de Campo Limpo Paulista (SP), ficaram entre as cinco melhores, de 108 times, em duas categorias técnicas.

Os estudantes levaram o 1º e o 2º lugar, respectivamente, no prêmio Engenharia de Excelência. Com robôs bem construídos e programados, eles se destacaram também nas partidas da mesa, em que devem cumprir uma série de atividades e somar pontos. No final, acabaram com a 4ª (SESI CLP) e a 5ª (Atombot) colocação na categoria Desempenho do robô. 

Herbert Campos, 16 anos, da Atombot, lembra que, para chegar ao topo do mundial, foi um longo caminho. A equipe foi criada em 2013 e, desde então, vem evoluindo e acumulando prêmios regionais, nacionais e internacionais, como o de Projeto de Inovação no Open da Austrália de 2019.  

“Nessa temporada, tivemos pouco tempo para preparar e traduzir toda a documentação, fazer as modificações que achávamos necessárias no robô e no projeto. Mas mandamos bem na partida e, na avaliação de sala, os juízes foram muito receptivos, conseguimos nos comunicar e passar as mensagens que queríamos”, lembra o veterano da equipe. 

As colegas Julia Meneses, 12, e Estela Terzi, 14, foram reconhecidas ainda por levar os valores da FIRST, como trabalho em equipe, empatia e competição amigável. Ambas voltarão para casa com um botton edição limitada do Woodie Flowers.

Estreante em torneios internacionais, a equipe do SESI CLP ganhou confiança nos dois primeiros dias de competição após ir bem nas partidas testes e na avaliação. “É a nossa primeira vez no mundial, e no ano passado também era a primeira vez no campeonato nacional, que vencemos como Champion’s Award. Na sala, falamos sobre o nosso projeto, criação e as inovações do robô e o trabalho da equipe durante toda a temporada”, completa Erick Rodrigues. 

Apesar de ser a menor competição em número de equipes no mundial – FTC tem 160 e FRC 450 -, a FLL é a modalidade presente no maior número de países, portanto, com maior alcance. No Championship, são entregues prêmios em diversas categorias, técnicas e comportamentais, além do Desempenho do robô e Engenharia de Excelência: Design do robô, Técnico/Mentor, Core Values, Engenharia, Breakthrough, Rising All-Star, Motivação, Peer Award e o prêmio principal, Champion’s Award – que, neste ano, uma equipe da Espanha levou.

Trocas de experiências e preparação para os próximos torneios 

Na FIRST Tech Challenge (FTC) e na FIRST Robotics Competition (FRC), modalidades com robôs maiores, que chegam ao porte industrial, também houve diversas premiações. Algumas semelhantes à FLL, como Design, e outras distintas, como Motivação, Inspiração e Criatividade.

A Geartech Canaã 16054, do SESI Canaã em Goiânia (GO), e a Under Control 1156, do Marista de Novo Hamburgo (RS), já participaram de mundiais anteriores e carregam no currículo diversos prêmios internacionais. Dessa vez, eles voltam para o Brasil com experiências positivas e algumas melhorias a serem feitas para as próximas competições.  

“A gente chegou no torneio e estávamos bem ansiosos por conta da apresentação e das partidas, mas o legal da competição é conhecer outros times, os projetos que eles têm, conversar com pessoas de países diferentes e outras categorias, como o FRC”, reconhece Matheus Amorim, 17, da Geartech. 

Ele acredita que, mesmo sem o resultado que esperavam, eles fizeram um bom trabalho, tocaram diversos projetos sociais e alcançaram muitas pessoas com a ciência e a tecnologia. Amanda Wilmsen, 18, da Under Control, concorda e destaca que essa é a sétima participação da equipe no mundial.

“A competição vai muito além de um prêmio, sempre saímos com muita bagagem, coisas que podemos aprender com outras equipes e aplicar em nosso país. No Brasil, não temos tanto investimento em ciência e tecnologia, então fazemos um trabalho para iniciar novas equipes. Há um desafio para engajar equipes, mentores e patrocinadores”, pondera Amanda Wilmsen. 

Uma das integrantes da equipe, Isabela Gonchoroski da Silva, 17, ainda foi uma das finalistas na Dean’s List, que reconhece estudantes que apresentam valores como liderança e inovação durante a competição. Em um encontro com o fundador da FIRST Dean Kamen, os finalistas tiveram a oportunidade de saber mais sobre bolsas de estudo nos Estados Unidos e entrar em contato com representantes de universidades. 

Em discurso na cerimônia de premiação, Dean Kamen agradeceu não só a organização do evento como os pais, professores e líderes que fazem os programas e os torneios de robótica possíveis. “A nossa comunidade global é grande e o crescimento de líderes, cientistas, engenheiros e profissionais engajados com tecnologia está vindo dos programas da FIRST”, disse.

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