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⟳ Atualizada em: 27/10/2021 14:27

Sem ainda ter um partido para disputar a reeleição em 2022, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira, 27, manter conversas com PP e PL para definir sua filiação. As duas siglas fazem parte da sua base de apoio e o presidente avalia qual o poder de influência terá sobre cada uma antes de bater o martelo. Na mesa de negociações está o controle de diretórios regionais e a escolha de candidatos ao Senado.

“Hoje em dia está mais para PP ou PL, me dou muito bem com os dois partidos”, afirmou o chefe do Executivo em entrevista à Jovem Pan News. “Mas a escolha é igual a casamento. Às vezes, até escolhendo a gente tem problema. Imagina se fizer de atropelo”, completou, admitindo estar “atrasado” para decidir sobre uma sigla. Bolsonaro está sem partido há quase dois anos, quando deixou o PSL.

Foto: Divulgação.

Na segunda-feira, o presidente do PL, o ex-deputado Valdemar Costa Neto,  publicou um vídeo com um convite oficial de filiação ao presidente. Como mostrou a Coluna do Estadão, a sigla ofereceu diretórios estaduais para controle de Bolsonaro, que, no entanto, também é cortejado pelo PP, o partido do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, e do presidente da Câmara, Arthur Lira (AL), aliado de primeira hora do governo.

“Tenho interesse em indicar metade dos candidatos ao Senado, pessoas perfeitamente alinhadas conosco”, afirmou o presidente à rádio. A ideia do presidente é, em uma eventual reeleição, ampliar a bancada aliada na Casa, que hoje oferece resistência às pautas do Palácio do Planalto.

‘Ele dorme pensando no PL e acordo pensando no PP’, diz Flávio

A indefinição de Bolsonaro também tem atrasado mudanças de aliados, que pretendem acompanhá-lo na nova sigla, seja ela qual for. O filho mais velho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ), é um deles. “Ele dorme pensando no PL e acorda pensando no PP (Progressistas)”.

O “Zero Um” avalia que em ambos há prós e contras à filiação de Bolsonaro. Para Flávio, o alinhamento de dirigentes regionais do Progressistas com o PT, como ocorre na Bahia, em Pernambuco e na Paraíba, é um fator que pode pesar na escolha. Por outro lado, o fato de o presidente já ter sido filiado à sigla pode facilitar a sua volta.

“(O Progressistas é) um partido com um pouquinho mais de capilaridade. É o partido que meu pai se candidatou pela primeira vez, começou pelo PDC, depois fundiu e formou o PPB (nome que o partido adotava até 2003)”, afirmou Flávio.

Já o PL é o partido da ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, e faz parte da base do governo no Congresso. O Progressistas também é da base, além de Ciro e Lira, tem como filiado o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PR).

“O que ele entender que for melhor para ele, para o futuro político, eu estou junto. Os dois partidos são maravilhosos, são partidos que têm capilaridade e têm pessoas no comando que têm palavra”, afirmou Flávio. “A decisão está demorando por causa disso, é tão difícil escolher entre dois partidos que tratariam tão bem ele”, completou.

Oitava troca

Jair Bolsonaro está sem legenda desde o final de 2019, quando se desfiliou do PSL após uma disputa com o comando da sigla por influência financeira e política. Está será sua oitava troca de partido desde que iniciou a carreira política, ainda na década de 1980.

A exemplo do pai, Flávio admitiu que há um atraso para a definição. “Já está atrasado, as conversas estão acontecendo para formação dos palanques dos Estados”, afirmou.

Independentemente da filiação de Bolsonaro, o senador afirmou que o presidente quer ter na coligação os dois partidos e também o Republicanos e o PTB. “A ideia é essa e outros também que tenham ali uma identidade maior com o nosso projeto do que com o projeto do PT”.

A última negociação foi com o Patriota, partido ao qual Flávio se filiou para preparar o terreno para a entrada do pai. Apesar disso, a sigla viveu uma guerra interna porque se dividiu sobre entregar o comando de diretórios para o grupo de Bolsonaro. Por causa disso, Adilson Barroso, o principal patrocinador da filiação do presidente, acabou destituído da presidência da legenda.

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