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⟳ Atualizada em: 06/08/2022 12:35

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) aumentou os juros básicos da economia brasileira de 13,25% para 13,75% ao ano na quarta-feira (3/8).

A taxa Selic  como é conhecida  subiu meio ponto percentual em relação à última reunião do Copom; antes do anúncio, a expectativa era que esse seria o último aumento no ciclo atual de alta.

No entanto, o comitê disse que vai avaliar para o encontro seguinte, em setembro, “a necessidade de um ajuste residual, de menor magnitude, em sua próxima reunião”. Acredita-se agora que possa haver um novo aumento.

Mas qual é a importância de tudo isso? Por que os juros brasileiros estão em trajetória ascendente neste ano? E o que isso significa na prática para o bolso das pessoas?

Para que serve a taxa de juros da economia?

A taxa Selic (sigla para Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) serve como referência para todas as taxas de juros do mercado brasileiro e é definida pelo Copom, grupo composto pela direção do Banco Central. Eles se reúnem para definir a trajetória da Selic.

A Selic é o principal instrumento de política monetária usado pelo Banco Central para controlar a inflação.

Quando a taxa sobe, os juros cobrados em financiamentos, empréstimos e no cartão ficam mais altos e isso desencoraja o consumo  o que, por sua vez, estimula uma queda na inflação. Por outro lado, se a inflação está baixa e o BC reduz os juros, isso barateia os empréstimos e incentiva o consumo.

Para definir o que fazer com a Selic, o BC avalia as condições da inflação, da atividade econômica, das contas públicas e o cenário externo  sempre com o objetivo de manter a inflação dentro da meta.

O instrumento é usado por todos os governos e autoridades monetárias. O Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, define os juros básicos da economia americana. O Banco Central Europeu faz o mesmo com os juros nos países que compõem a zona do euro.

O mundo vive um momento de alta da inflação em diversos países  como reflexo de desequilíbrios na cadeia de produção combinados com um aumento do consumo devido à pandemia de covid-19.

A inflação tem batido recorde de mais de quatro décadas em países europeus, EUA e Reino Unido. Tudo tem ficado mais caro. Por isso, esses países também estão vendo os juros subirem.

No Brasil, o mais recente ciclo de alta começou em 17 de março de 2021. Desde então, a Selic subiu 12 vezes consecutivamente, de 2% para 13,75%, patamar atingido na quarta-feira (3/8). É o patamar mais alto desde 2016, quando a taxa começou o ano em 14%.

O objetivo do Copom é fazer a inflação brasileira ficar dentro da meta de inflação, que é definida pelo Banco Central.

O que é a meta de inflação?

O regime de metas de inflação, o câmbio flutuante e a meta fiscal compõem o chamado “tripé macroeconômico”, anunciado em 1999 como a nova estrutura da política econômica brasileira. Isso depois de o Brasil ter superado, com o Plano Real (1994), um período traumático de hiperinflação, durante o qual os preços chegavam a aumentar 80% em um único mês.

A meta de inflação é definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Do jeito que funciona hoje, ele determina em junho a meta para a inflação de três anos à frente.

A ideia é que uma inflação previsível, estável e baixa possa ajudar a economia a crescer mais, reduzindo as incertezas. Para 2022, a meta para o IPCA (o Índice de Preços ao Consumidor Amplo, usado oficialmente pelo governo) é de 3,5%. Para o ano que vem, a meta é de 3,25%.

O mercado, no entanto, não acredita que o governo vá conseguir cumprir essas metas. O mais recente Boletim Focus (sondagem semanal do Banco Central com agentes de mercado) mostra que o mercado acredita que o Brasil encerrará 2022 e 2023 com inflações anuais de 7,15% e 5,33% respectivamente  ambos índices acima da meta oficial.

O mesmo boletim mostra que os agentes de mercado acreditavam que o ciclo de alta de juros estaria próximo do fim agora, com a Selic terminando esse ano em 13,75% e baixando para 11% no final de 2023.

Quais as consequências da alta de juros para a vida das pessoas?

A alta dos juros têm consequências diretas na vida das pessoas.

Se não houvesse aumento nos juros, as pessoas estariam expostas à inflação alta, o que provocaria uma queda nos padrões de vida de todos. Os preços de bens e serviços subiriam, e os salários das pessoas não acompanhariam essa alta.

Mas a alta de juros também tem dois efeitos claros no cotidiano das pessoas:

  • Pegar dinheiro emprestado fica mais caro
  • Poupar e investir dinheiro em renda fixa tornam-se mais vantajosos

Sobre empréstimos, os bancos comerciais passam a cobrar juros mais altos. Isso afeta principalmente pessoas que tomam financiamentos para comprar casa ou carro  e também consumidores que têm dívidas com cartão de crédito.

Com empréstimos mais caros, o poder de compra de todos é reduzido. O mesmo acontece com empresas: o aumento dos juros não incentiva tomada de empréstimos para realizar investimentos. E governos também sofrem: juros maiores prejudicam as finanças públicas, já que os países também tomam empréstimos ao emitir títulos de dívida (uma das formas como governos se financiam  outra é a arrecadação de impostos).

Sobre poupança, o movimento costuma ser vantajoso para quem tem dinheiro para emprestar e investir. Mas é preciso tomar cuidado. Os investimentos e poupanças precisam ter taxa de retorno superior à inflação para que haja um ganho real.

Por exemplo: o mais recente dado do IPCA mostra que no último ano a inflação brasileira foi de 11,39%. O rendimento atual da poupança hoje é pouco acima de 6%  ou seja, quem aplica dinheiro na poupança ainda está vendo seu dinheiro perder poder de compra.

A alternativa é buscar rendimentos acima da inflação tanto no mercado como em títulos do governo federal (o chamado Tesouro direto)  que possuem retornos mais próximos ou até acima da Selic.  Fonte BBC News

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