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⟳ Atualizada em: 27/07/2022 11:26

Após sair da presidência do Itaú em fevereiro de 2021, Candido Bracher afirma que “passou de executivo a reflexivo”, deixando a responsabilidade de conduzir o maior banco privado do Brasil, para ter mais liberdade e tempo disponível “para refletir sobre as questões do país”.

Atualmente membro do conselho de administração do Itaú Unibanco e da empresa americana de cartões de crédito Mastercard, o executivo atua agora também como articulista, escrevendo mensalmente uma coluna para o jornal Folha de S. Paulo.

Nesta semana, porém, ele deixou a seção de opinião e voltou às páginas de notícias, após assinar, ao lado de outros banqueiros, empresários, artistas, juristas e personalidades, um manifesto em defesa da democracia.

A “Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito” será lançada em evento na Faculdade de Direito da USP no dia 11 de agosto. Na segunda-feira (25/7), antes de ser aberta para assinatura do público em geral, já reunia mais de 3 mil nomes.

“São intoleráveis as ameaças aos demais poderes e setores da sociedade civil e a incitação à violência e à ruptura da ordem constitucional”, diz trecho do manifesto.

“No Brasil atual, não há mais espaço para retrocessos autoritários. Ditadura e tortura pertencem ao passado. A solução dos imensos desafios da sociedade brasileira passa necessariamente pelo respeito ao resultado das eleições”, acrescenta o documento.

‘Uma manifestação preventiva’

“Numa situação dessas, quando nos aproximamos de uma eleição tão importante, nós não deveríamos estar preocupados com a possibilidade de o resultado ser contestado”, diz Candido Bracher, em entrevista à BBC News Brasil.

“Então essa é uma manifestação preventiva, de pessoas que se preocupam com a democracia no país e que, diante de sinais de que ela poderia estar ameaçada, se levantam e se manifestam”, completa.

O executivo afirma, porém, que não acredita na possibilidade de golpe ou de um episódio como a invasão do Capitólio no país quando americanos insatisfeitos com a vitória de Joe Biden e incitados pelas acusações de fraude feitas por Donald Trump invadiram o Congresso dos EUA, em 6 de janeiro de 2021.

“Eu, pessoalmente, não acredito que existe essa possibilidade [de golpe]. Inclusive porque a sociedade civil demonstra o seu compromisso com a democracia”, diz o banqueiro.

Candido Bracher

Eleitor declarado e financiador da campanha de Simone Tebet (MDB), Bracher diz acreditar na possibilidade de vê-la no segundo turno das eleições de outubro. Mas também afirma que um possível novo mandato do petista Luiz Inácio Lula da Silva não o assusta.

“Eu não fico nem entusiasmado, nem tampouco assustado com a perspectiva de um novo governo Lula. Eu espero que, se isso vier a ocorrer, que eles tenham sido capazes de aprender com os erros que cometeram e saibam conduzir o país e a economia de uma maneira mais competente. São pessoas inteligentes.”

Bracher é filho do também banqueiro Fernão Bracher (1935-2019), que foi presidente do Banco Central e um dos fundadores do banco BBA  vendido em 2002 ao Itaú, que se fundiria em 2008 ao Unibanco, criando o gigante financeiro Itaú Unibanco.

Formado em administração de empresas pela FGV (Fundação Getulio Vargas), Candido começou sua trajetória profissional na Suíça, estagiando num banco em Zurique.

Passou por instituições como Banco Itamarati, Banco da Bahia Investimento, Bahia Corretora, Banco de Desenvolvimento do Estado de São Paulo e pelo BBA de seu pai, até assumir a presidência do Itaú em 2017. Se aposentou em 2021, ao atingir a idade máxima de permanência no cargo, aos 62 anos.

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