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⟳ Atualizada em: 02/06/2022 12:35

As expectativas eram de forte crescimento do Produto Interno Bruto no 1º trimestre, quando o Brasil colhe as principais safras agrícolas. O Bradesco e a Genial Investimentos previam avanço de 1,7% no PIB trimestral frente ao 4º trimestre de 2021 (+0,5%). A LCA Consultores estimava alta de 1,5%, que seria puxada pelo avanço de 2,5% na agropecuária, de 1% na indústria extrativa mineral e de 0,8% nos Serviços. A mediana do mercado apontava alta de 1,2% no PIB trimestral. O Itaú previa 1% e o Santander, +0,9%. Mas o agro e a indústria extrativa mineral frustraram o PIB pelo lado da oferta.

O 1º teve queda de 0,9%, puxada pela redução de 12,2% nas colheitas de soja e de 8,5% na de arroz (frente ao mesmo período de 2021). Já a indústria extrativa mineral caiu 3,4% no trimestre com menor extração de minérios. Os dois segmentos (junto com o petróleo) seriam o motor do crescimento da economia em 2022, devido ao impacto altista dos preços causado pela invasão da Ucrânia pela Rússia. Assim, o PIB só avançou 1,0%, com alta de 1% no setor de serviços, que representa 70% do PIB e volta à normalidade com a vacinação.

A queda da mineração fez a indústria geral crescer só 0,1%, mas a indústria de transformação (50% da indústria) cresceu 1,4%, a construção avançou 0,8% e as atividades de utilidade pública (água, esgoto, atividades de gestão de resíduos) cresceram 6,6%, com maior geração de eletricidade e o menor acionamento das termoelétricas.

Frente ao mesmo trimestre de 2021, o PIB apresentou crescimento de 1,7%. No acumulado nos quatro trimestres, terminados em março de 2022, o PIB cresceu 4,7%, um pequeno avanço comparado aos quatro trimestres imediatamente anteriores (no 4º trimestre de 2021 a taxa era de 4,6%).

Pela ótica da despesa, a Despesa de Consumo das Famílias que tem o maior peso no PIB (encolheu dos 65,1% de 2019 para 61% em 2021), teve crescimento de 0,7%. A Despesa de Consumo do Governo ficou estável (com variação de +0,1%, enquanto a Formação Bruta de Capital Fixo registrou queda de 3,5%, causada pela menor internação de equipamentos da Petrobras pelo regime do Repetro (os equipamentos já estavam em operação, apenas o registro fiscal foi feito no país, o que não altera tanto a capacidade de produção). Por sinal, no 1º trimestre de 2022, a taxa de investimento foi de 18,7% do PIB, frente aos 19,7% do mesmo período do ano passado.

Revisões à vista

O ano de 2022 está derrubando expectativas. Em meados do ano passado, quando a crise hídrica e a redução dos níveis dos reservatórios das hidroelétricas projetavam cenário com alto risco de racionamento de energia este ano, o Departamento de Estudos Econômicos do Itaú previa racionamento e uma queda de 0,5% no PIB de 2022.

Mas as chuvas chegaram em fins de novembro e vieram fortes em dezembro, janeiro e fevereiro. Isto recompôs os reservatórios, trouxeram mortes e destruição na Bahia, em Minas Gerais, em Petrópolis-RJ (e agora no Nordeste, particularmente em Pernambuco, no Grande Recife). Afastado o racionamento, na tentativa de conquistar o eleitorado e reduzir a inflação, o governo antecipou de 1º de maio para 16 de abril a troca de bandeira de escassez hídrica, pela verde, o Itaú foi revisando as previsões, de negativas para positivas, sendo acompanhado pelos demais bancos e consultorias.

O Santander, que previa 0,9% de expansão no 1º trimestre admitia que um resultado altista poderia levá-lo a rever para cima a previsão de aumento de 0,7% no PIB deste ano. Para 2023, o banco espanhol é pessimista: queda de 0,3%. Itaú e Bradesco também preveem redução em relação aos números deste ano. Portanto, não é correto dizer que a economia brasileira está crescendo mais do que a economia mundial, cujas previsões de avanço (mesmo descontando a China) são superiores às do PIB do Brasil.

A alta de 1% no PIB, do modo que foi  sem ganhos na agropecuária, que pode sofrer percalços neste 2º trimestre, devido ao frio e às geadas (o que é ruim do ponto de vista do combate à inflação)  pode frustrar as expectativas de que a economia estava engrenando. Na verdade, um delírio (ou como dizem os americanos, um “wishful thinking”, pensamento positivo) dos apoiadores da reeleição, cada vez mais complicada, do presidente Jair Bolsonaro.

O governo contava com um número expressivo do PIB para espargir otimismo na economia (embora os números apontem para queda em relação a 2021). Por isso, trocou o calendário de divulgação do Caged (que apresenta dados do mercado de trabalho com um mês de antecedência, no caso, seriam os dados de abril) em relação à PNAD Contínua Trimestral do IBGE. O Caged, que seria divulgado na 2ª feira, foi adiado, e na 3ª feira o IBGE divulgou dados da PNAD Contínua de fevereiro, março e abril.

O número mostrou forte recuperação no emprego. Frente ao trimestre anterior de novembro-dezembro-janeiro, a taxa de desemprego caiu para 10,5% em abril, abaixo do esperado (10,9%), na maior queda mensal desde 2012. Os dados do Caged viriam completar a maré de notícias alvissareiras. Mas a continuidade da inflação acima dos dois dígitos (o IBGE divulga os dados do IPCA de maio dia 9 de junho) pode manter a situação mais desfavorável do mercado de trabalho: a perda de renda real.

O reajuste do salário mínimo (de 10,02%) já ficou abaixo da variação de 10,16% do INPC em 2021. Como a taxa em 12 meses continuou avançando para mais de 12% (só ficará abaixo disso e a inflação do IPCA de maio ficar inferior a 0,63%), a perda do poder de compra real do salário (descontada a inflação) tem sido uma constante. E a recuperação das vagas perdidas no mercado de trabalho durante a pandemia da Covid-19 em 2020 e 2021 tem sido feito com salários inferiores aos de antes da pandemia.

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